A depreciação do kwanza e as restrições impostas pelos bancos comerciais resultaram numa queda significativa de 43% nos gastos com cartões pré-pagos de marcas internacionais no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), analisados pelo Expansão, os angolanos gastaram 280,6 mil milhões de kwanzas em 7,1 milhões de operações com esses cartões, uma redução de 210,9 mil milhões de kwanzas e 19% no número de transacções face ao ano passado.
A desvalorização do kwanza, que caiu 10% face ao euro e 8% face ao dólar entre Junho de 2024 e Junho de 2025, agravou a situação, exigindo mais kwanzas para cobrir as mesmas necessidades em moeda estrangeira. Este cenário, aliado às dificuldades de acesso a divisas, levou os bancos a impor limites mais apertados no carregamento e uso de cartões pré-pagos a partir de Abril de 2024. Alguns bancos, como o Banco Angolano de Investimentos (BAI), que detém 54% dos cartões internacionais activos em Angola, reduziram os limites de carregamento mensal de 1.000 USD para 250 USD e suspenderam a emissão de novos cartões.
Impacto nas Operações e no Número de Cartões
De acordo com as estatísticas do BNA, o volume de operações com cartões pré-pagos caiu 19%, passando de 8,8 milhões no primeiro semestre de 2024 para 7,1 milhões em 2025. O número de cartões activos também registou uma redução de 6% no mesmo período, com o BAI a reportar uma queda de 10% no número de cartões pré-pagos internacionais até Dezembro de 2024.
O economista Heitor Carvalho explica que a escassez de divisas é o principal factor por trás das restrições. “Os bancos enfrentam dificuldades no acesso a moeda estrangeira, o que levou à imposição de limites no uso e carregamento dos cartões. Além disso, a redução dos rendimentos dos cidadãos e as restrições à saída de divisas, tanto para compras como para exportação de lucros, contribuíram para este cenário”, afirmou.
Apesar da queda, Heitor Carvalho destaca que a redução no uso de cartões pré-pagos pode trazer benefícios à economia angolana. “Estas transacções têm um impacto reduzido na economia nacional e favorecem as economias de outros países. Num contexto de escassez de divisas, a diminuição destas transferências para o exterior pode ser vista como positiva”, explicou o economista.
Inversão de Tendência
Os dados revelam uma inversão na tendência de crescimento observada desde 2021. No ano passado, os gastos com cartões pré-pagos no estrangeiro atingiram 773,5 mil milhões de kwanzas em 16,2 milhões de operações, o valor mais alto da última década. Contudo, a partir do segundo trimestre de 2024, começou a verificar-se uma desaceleração, que se intensificou em 2025 com as medidas restritivas dos bancos.
