A Presidente da Comissão de Carteira e Ética, Maria Luísa Rogério, anunciou esta semana, em Luanda, que está em marcha o plano de anulação de carteiras profissionais de jornalistas que não cumprem com os requisitos mínimos exigidos por lei para acesso ao documento que habilita ao exercício da profissão.

A declaração foi feita durante um workshop sobre ética e deontologia profissional e metodologia de investigação jornalística, promovido pela Associação Pro Bono, no auditório das Irmãs Paulinas, em Luanda.

Segundo a responsável, muitos profissionais conseguiram obter o documento habilitante ao exercício do jornalismo sem reunirem todos os requisitos necessários. Luísa Rogério reconheceu que, no momento da institucionalização da carteira profissional, a CCE foi obrigada a atenuar as exigências, aceitando declarações dos órgãos onde os candidatos prestavam serviços.

Entre os casos irregulares identificados estão pessoas que trabalham em áreas não jornalísticas, como nos setores financeiro e administrativo de órgãos de Comunicação Social, mas que apresentaram declarações emitidas pelas entidades patronais para solicitar a Carteira Profissional de Jornalista.

Apelo ao Jornalismo de Investigação

Durante o evento, que contou com a participação de mais de 50 profissionais de diversos órgãos de Comunicação Social, Maria Luísa Rogério também apelou aos jornalistas para se engajarem na prática do jornalismo investigativo, sempre observando os princípios éticos e deontológicos da profissão.

“Jornalismo é exatamente isso. É informar, é questionar, é incomodar, é fazer aquilo que muitas vezes alguém não quer que se divulgue”, afirmou a presidente da CCE.

A veterana jornalista aconselhou os profissionais a explorarem a investigação jornalística, sugerindo que aqueles cujos órgãos não permitam a publicação de determinados conteúdos investigativos recorram a outros veículos para o efeito, pois “o mais importante é que a informação seja publicada”.

Workshop Aborda Diversos Temas

O workshop, realizado em parceria com o Misa Angola, Sindicato de Jornalistas Angolanos, o programa Conexão Independente e a Financial Service Voluntarie Corps (FSVC), abordou várias temáticas relevantes para a profissão.

No primeiro dia, Fernando Guelengue apresentou o módulo “Fundamentos da Ética jornalística”, focando-se em princípios éticos na prática jornalística e análise de dilemas éticos com casos práticos. Já Luísa Rogério conduziu o módulo sobre “Deontologia profissional no jornalismo”, discorrendo sobre códigos de conduta, normas de responsabilidade social e reflexões sobre o papel do jornalista na sociedade.

O segundo dia do evento foi dedicado à metodologia de investigação jornalística, explorando técnicas de apuração de dados, entrevistas investigativas e métodos para garantir precisão e confiabilidade nas reportagens.

Ao final do workshop, Luísa Rogério expressou sua satisfação com os resultados, afirmando que tanto formandos quanto formadores saíram com novas ferramentas motivadoras e conhecimentos renovados. Ela destacou ainda a importância destas formações como espaços de troca de experiências entre diferentes gerações de jornalistas e comunicadores.

A presidente da CCE concluiu manifestando esperança de que o debate contínuo sobre princípios éticos e deontológicos possa abrir caminho para, “daqui há alguns anos, possamos pensar numa rede de Jornalistas de investigação em Angola”. CK

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