A China está em negociações para adquirir centenas de aviões da construtora europeia Airbus, num negócio que pode marcar a maior encomenda de aeronaves da história do país, segundo informações avançadas pela agência Bloomberg. O acordo, que poderá envolver cerca de 300 aviões de fuselagem larga e estreita, ou até 500, conforme fontes não identificadas, coincide com as celebrações do 50.º aniversário das relações oficiais entre a China e a União Europeia, previstas para julho, em Pequim.
As negociações, ainda em curso, não têm garantia de concretização, podendo ser adiadas ou canceladas, de acordo com as mesmas fontes. Até ao momento, nem a Airbus nem as autoridades chinesas confirmaram oficialmente o negócio.
Contexto Diplomático e Comercial
A possível assinatura do acordo durante a cimeira China-UE, que contará com a presença de líderes como o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, pode ser interpretada como um sinal do Presidente chinês, Xi Jinping, de reforço dos laços comerciais com a Europa. Este movimento surge num momento de tensões crescentes com os Estados Unidos, agravadas pela guerra comercial entre Pequim e Washington.
Airbus vs. Boeing
A Airbus tem conquistado terreno no mercado chinês, beneficiando das dificuldades enfrentadas pela sua principal rival, a norte-americana Boeing. A Boeing enfrenta desafios no mercado chinês devido a preocupações com a segurança, especialmente após a proibição de quase cinco anos do modelo 737 Max, na sequência de dois acidentes fatais na Etiópia e na Indonésia, que resultaram em 346 mortes. Além disso, restrições temporárias, como a suspensão de entregas de aviões Boeing a empresas chinesas entre abril e maio deste ano, reforçaram a posição da Airbus, que não regista uma encomenda significativa da China desde 2017.
Impacto Global
Caso se concretize, este acordo poderá ser um marco na indústria aeronáutica, consolidando a influência da Airbus no mercado asiático e sinalizando uma mudança estratégica nas relações comerciais globais. A Bloomberg destaca, no entanto, que a Boeing poderia beneficiar de um eventual acordo comercial entre Pequim e Washington, especialmente após o recente pacto com o Reino Unido, que incluiu a venda de aviões como ponto central.
