A violenta repressão contra manifestantes na capital angolana, ocorrida no último sábado (13), colocou o superintendente-chefe Avelino José , comandante da Unidade de Reação e Patrulhamento (URP) de Luanda, sob forte escrutínio público. Testemunhas apontam-no como responsável pela resposta desproporcional das forças policiais durante a marcha popular realizada contra o aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas do transporte coletivo.

O protesto teve início no Mercado de São Paulo , onde se concentraram vendedeiras ambulantes, activistas e representantes de partidos políticos, entre eles Olívio Kilumba , da UNITA, e Luís Castro , do Partido Liberal. O grupo pretendia seguir até o Largo da Maianga , mas foi impedido por agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) nas imediações do Largo da Independência . A tentativa de redirecionar a marcha gerou resistência e os confrontos começaram.

Os agentes usaram gás lacrimogéneo e jatos de água quente para dispersar a multidão. Durante os tumultos, um manifestante foi atingido no rosto por uma granada de gás e outra pessoa desmaiou. As autoridades justificaram as detenções com base na “desobediência às ordens policiais”.

Comandante já tem histórico de denúncias

O superintendente Avelino José, residente no bairro Jango , não é estranho a situações controversas. Em outubro de 2024, o jornal Imparcial Press noticiou que ele estava sob investigação disciplinar e criminal após um incidente ocorrido em setembro na esquadra do Benfica .

Nas imagens amplamente partilhadas nas redes sociais, aparece um subinspetor da Polícia Nacional a ser arrastado, agredido e algemado a uma cama por colegas da corporação. O Comando Provincial de Luanda suspendeu os envolvidos, incluindo o comandante da esquadra do Benfica e o chefe de operações de Talatona, abrindo inquérito para apurar responsabilidades.

Fontes ligadas à corporação revelaram ainda que o oficial teria agredido uma polícia feminina com golpes nas costas, num caso que reforça o seu alegado padrão de conduta violenta. Este historial levanta dúvidas sobre a escolha dele para liderar operações de contenção de protestos, num momento em que a sociedade civil clama por transparência e respeito aos direitos humanos.

Motivação do protesto: custo de vida cresce

A manifestação surgiu em resposta ao recente aumento do preço do gasóleo, que passou de 300 para 400 kwanzas , bem como das tarifas de táxi, elevadas de 200 para 300 kwanzas . Esses aumentos têm causado indignação, especialmente entre as camadas mais vulneráveis da população, como as vendedeiras ambulantes, cujo sustento depende do acesso ao transporte público.

Organizações da sociedade civil já anunciaram novas mobilizações para o próximo dia 19 de julho , em seis províncias do país, incluindo Luanda , prometendo intensificar a pressão sobre o governo para rever as medidas que afectam o povo.

Juristas alertam para possíveis crimes militares

Peritos em Direito e analistas políticos têm alertado para a possibilidade de crimes militares, nomeadamente ofensas à integridade física e violação de hierarquia, relacionados à actuação das forças policiais. A repressão aos manifestantes reacendeu o debate sobre o uso excessivo da força e a necessidade urgente de reformas dentro da Polícia Nacional , para garantir o cumprimento dos direitos constitucionais dos cidadãos.

A conduta das forças de segurança, sob o comando de Avelino José, permanece sob observação. Há apelos para que as autoridades conduzam investigações rápidas e imparciais. A sociedade angolana espera respostas que promovam justiça e prestação de contas, num contexto em que a credibilidade das instituições públicas é fundamental para a estabilidade social.

Fonte: Club-k

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *