As relações comerciais entre Angola e Portugal registam uma queda acentuada há seis anos consecutivos, reflectindo uma reconfiguração profunda nas trocas bilaterais entre os dois países. Segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), a que o O Telegrama teve acesso, as importações angolanas provenientes de Portugal sofreram uma contracção de 49,10% entre 2008 e 2024, passando de US$ 2,62 mil milhões para US$ 1,34 mil milhões.
Durante mais de uma década, Portugal ocupou uma posição privilegiada como principal fornecedor de bens e serviços para Angola. Contudo, esta hegemonia tem vindo a desvanecer-se. Nos últimos seis anos (2018-2024), os bens e serviços importados de Portugal registaram uma redução acumulada de 32,32%, sinalizando o enfraquecimento de uma parceria que já foi pilar da cooperação económica transcontinental.
China Assume Liderança Comercial
A posição de Lisboa foi gradualmente suplantada por Pequim, que se consolidou como o maior parceiro comercial de Angola. Em 2024, as importações angolanas provenientes da China atingiram US$ 2,06 mil milhões, superando largamente as compras feitas a Portugal. Este fortalecimento da relação com o gigante asiático reflecte a crescente influência chinesa no mercado angolano, especialmente no fornecimento de bens e serviços para um dos maiores produtores de petróleo em África.
Exportações de Petróleo e Dívida Bilateral
No que diz respeito às exportações angolanas, Portugal nunca foi o principal destino do petróleo bruto do país. Ainda assim, entre 2008 e 2024, Angola exportou para Portugal uma média anual de US$ 912,15 milhões em petróleo, com o pico registado em 2013, quando o valor atingiu US$ 3,07 mil milhões.
Por outro lado, o stock da dívida pública angolana com Portugal também diminuiu significativamente, passando de US$ 1,25 mil milhões em 2009 para US$ 846,2 milhões em 2024, uma redução de 32%. Esta tendência sugere uma menor dependência financeira de Angola em relação ao credor português.
Perspectivas Futuras
A contínua redução das trocas comerciais com Portugal e o fortalecimento das relações com outros parceiros, como a China, indicam uma reorientação estratégica na política comercial angolana. Analistas apontam que factores como a diversificação de fornecedores, as condições de mercado global e as prioridades económicas internas têm influenciado esta transição.
Fonte: O Telegrama
