Luanda ganhou nesta segunda-feira, 9 de Março, um novo complexo industrial que eleva significativamente a capacidade nacional de transformação de óleos vegetais. O Complexo Industrial Rafinol, inaugurado pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, processará até 400 toneladas de óleo por dia — o equivalente a 100 mil toneladas anuais — reforçando o abastecimento interno e contribuindo para a estabilização de preços num sector estratégico para a segurança alimentar do país.
Situado na capital, o empreendimento representa um investimento de aproximadamente 90 milhões de dólares e integra quatro linhas de produção contínua dedicadas à refinação, embalamento e transformação de óleos vegetais. Além do óleo alimentar, a unidade produzirá anualmente 18 mil toneladas de margarina e gorduras vegetais, seis mil de maionese e condimentos, e sete mil de vinagre, totalizando um portfólio inicial de 17 produtos destinados ao consumo doméstico e ao fornecimento de matérias-primas para a indústria nacional de biscoitos e derivados.
Durante a cerimónia de inauguração, realizada com a presença do ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguel de Oliveira, e demais membros do Executivo, José de Lima Massano destacou que o fortalecimento da transformação industrial constitui um pilar central da estratégia de diversificação da economia angolana. “O crescimento sustentado da produção alimentar tem permitido maior regularidade na oferta de bens essenciais e contribuído para a estabilidade de preços”, afirmou o ministro de Estado, recordando que o sector alimentar cresceu cerca de 16% no último trimestre de 2025 e manteve ritmo positivo em Janeiro de 2026, com expansão de aproximadamente 11%.
Rui Miguel de Oliveira classificou a unidade como “um marco na consolidação da indústria transformadora em Angola” e sublinhou que o aumento da produção interna de óleo alimentar já se reflecte na maior disponibilidade do produto nos mercados e na redução do seu preço médio no país — um alívio directo para o orçamento familiar.
O CEO do Grupo WebCorp, Sérgio Limonte, reforçou o compromisso com a produção local de bens essenciais: “Acreditamos que produtos fundamentais à dieta do angolano devem ser transformados aqui, criando valor na nossa economia e gerando emprego qualificado”. O gestor apontou ainda o potencial de arraste para o sector agrícola: o Rafinol poderá impulsionar a produção nacional de soja e palma, reduzindo a dependência de importações de matérias-primas.
O complexo, instalado numa área de 80 mil metros quadrados, encontra-se em fase final de comissionamento. Segundo o director-geral José Oliveira, a comercialização dos primeiros produtos — sob as marcas Primavera e Massa — inicia-se em Abril. A unidade fornecerá igualmente insumos a outras indústrias nacionais, fortalecendo cadeias produtivas locais e promovendo a integração vertical da economia.
