Uma conta bancária aberta no Banco de Poupança e Crédito (BPC) em nome da Rádio Nacional de Angola (RNA), mas alegadamente fora dos circuitos oficiais de controlo financeiro da empresa, está a causar constrangimentos internos e a colocar sob escrutínio a conduta do novo presidente do Conselho de Administração (PCA), António Sebastião Lino, que é também membro do Comité Central do MPLA.

A informação, divulgada pelo portal Club-K, aponta para possíveis irregularidades na gestão de receitas publicitárias da rádio pública.

Como funciona a RNA e as suas receitas

A Rádio Nacional de Angola é uma empresa pública cuja principal fonte de financiamento provém das dotações do Orçamento Geral do Estado (OGE). A segunda maior receita vem da venda de espaços publicitários nas suas emissoras, com destaque para a Antena 1, Rádio Luanda, Rádio 5 e outras estações provinciais de alcance nacional.

Empresas privadas e instituições estatais recorrem frequentemente à RNA para campanhas publicitárias de grande visibilidade, o que representa uma fonte significativa de ingressos.

Período crítico: administração de António Sebastião Lino

António Sebastião Lino foi nomeado PCA da RNA a 12 de Janeiro de 2026. Antes disso, ocupava o cargo de Administrador Executivo para a área de Marketing e Intercâmbio.

Segundo as mesmas fontes, foi durante este período que terá sido aberta a conta paralela no BPC, pela qual teriam sido canalizados pagamentos de receitas publicitárias, sem passar pelos mecanismos oficiais de gestão financeira da empresa.

A conta seria conhecida apenas por António Sebastião Lino e por Cristina da Costa Nobre, antiga Administradora Executiva para a área de Administração e Finanças.

Detecção no mandato anterior

As fontes indicam que a existência de fundos publicitários não declarados terá sido identificada ainda no final do mandato do anterior PCA, Pedro Bernardo Neto. Contudo, o caso não terá avançado institucionalmente, alegadamente devido à fragilidade da administração cessante e às tensões entre o antigo gestor e o então ministro das Telecomunicações, Mário de Oliveira.

Após a saída de António Sebastião Lino da área de Marketing e Intercâmbio, o cargo passou para Telmo Renato dos Santos Silveira.

Órgãos competentes para investigação

Embora o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) exerça a tutela sobre a RNA, especialistas em governação pública recordam que a Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) é o órgão legalmente habilitado a realizar auditorias e investigações à gestão financeira de empresas públicas.

Por sua vez, o Tribunal de Contas tem competência para fiscalizar a legalidade das receitas e despesas públicas, podendo auditar as contas da RNA, apurar eventuais responsabilidades financeiras e emitir pareceres ou decisões em caso de irregularidades detectadas.

Fonte: Club-K

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