Angola registra segunda queda mensal consecutiva nas reservas bancárias, liberando cerca de AOA 535 mil milhões para o mercado.

O volume de depósitos em moeda nacional e estrangeira dos bancos comerciais sob reserva do Banco Nacional de Angola (BNA) voltou a cair no mês de março, naquela que é a segunda queda mensal consecutiva desde o início do ano. Esta redução segue em linha com as políticas macroprudenciais do Banco Central, após ter reduzido o coeficiente das reservas obrigatórias de 21% para 20%, medida que visa impulsionar a liberação de liquidez para as instituições financeiras monetárias.

A medida foi definida na 120.ª reunião do Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Central, ocorrida a 21 de janeiro último, e implementada a partir do dia 1 de fevereiro para atender à maior necessidade de liquidez da economia.

Queda significativa nas reservas

Os dados preliminares sobre a base monetária do Banco Central apontam para uma queda de 12%, saindo de AOA 3,1 bilhões (US$ 3,4 mil milhões), registados em fevereiro, para AOA 2,7 bilhões (US$ 3,06 mil milhões), em março. Em janeiro, as reservas obrigatórias situavam-se em AOA 3,3 bilhões (US$ 3,6 mil milhões).

Isto significa que, no intervalo entre a primeira reunião da cúpula do CPM até ao dia 31 de março, a liberação de liquidez situou-se em AOA 535 mil milhões.

Impactos na economia

Com esta redução, os bancos comerciais passam a obter mais recursos (liquidez) disponíveis para estimular a economia através da concessão de crédito, embora alguns economistas entendam que tal medida poderá elevar a inflação, em consequência de mais notas e moedas em circulação.

Estes números indicam uma tendência satisfatória para o governo de Manuel António Tiago Dias, que projetou um estímulo aos mercados financeiros em torno de AOA 100 mil milhões (US$ 109 milhões), com vista a situar as taxas do mercado monetário interbancário em torno da taxa diretora.

Detalhamento das reservas

As reservas obrigatórias em moeda nacional fixaram-se em AOA 1,24 bilhões (US$ 1,36 mil milhões), o menor valor desde março de 2024, quando se situou nos AOA 1,16 bilhões (US$ 1,27 mil milhões). Já as reservas em moeda estrangeira se fixaram nos AOA 1,28 bilhões (US$ 1,41 mil milhões).

Observa-se, ainda, que as reservas excedentárias (parte das reservas bancárias que excede as reservas obrigatórias), que representam um indicador essencial de liquidez disponível nas instituições financeiras para as suas estratégias de rentabilização, totalizaram os AOA 255 mil milhões (US$ 280 milhões), uma redução de 49% em relação aos 509 mil milhões (US$ 588 milhões) em fevereiro. OT

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