A desvalorização do kwanza em 2024 impactou severamente a Standard Chartered Bank (SCB), resultando em perdas estimadas em 57 milhões US$ na venda de activos e da sua participação na SCB Angola. Esta situação levanta preocupações sobre a estabilidade económica e as operações financeiras na região.
A Standard Chartered Bank (SCB) anunciou recentemente perdas financeiras expressivas relacionadas à venda de activos e à desvalorização da sua participação na SCB Angola.
Em um cenário de incertezas económicas e flutuações cambiais, a instituição financeira registou perdas de 26 milhões US$ na venda de activos em Angola, além de 31 milhões US$ decorrentes da venda da SCB Angola S.A. Estas perdas acabam por revelar o impacto severo da desvalorização do kwanza, a moeda local, em relação ao dólar americano.
A desvalorização do kwanza, que se acentuou ao longo de 2024, fez com que a taxa aumentasse de 554,981 AOA$ para 954,50 AOA$ por cada 1 US$, resultando em uma variação de 71,93%. Isso levou a uma diminuição no valor real dos activos detidos pela SCB.
Ao converter os valores recebidos em kwanzas para dólares, a instituição enfrentou um cenário desfavorável que resultou em perdas contábeis consideráveis. A venda dos activos, que deveria ser um movimento estratégico para melhorar a eficiência operacional, acabou por se transformar em um fardo financeiro.
Os 26 milhões US$ em perdas relacionadas à venda de activos são um reflexo directo da dificuldade em obter um preço justo em um mercado volátil.
A SCB teve que vender seus activos a valores inferiores aos esperados, devido à pressão económica e à queda da moeda local. Este cenário não só afecta o balanço da instituição, mas também levanta questões sobre a saúde económica de Angola e a confiança dos investidores na região.
Ademais, a perda de 31 milhões US$ na venda da SCB Angola S.A. representa um ajuste contábil elevado. Esta perda é uma consequência da desvalorização do kwanza antes da finalização da venda, o que significa que a conversão dos activos em dólares resultou em uma avaliação inferior à esperada.
No entanto, este tipo de perda é comum em economias com alta volatilidade cambial, mas ainda assim representa um desafio considerável para a SCB.
A situação em Angola destaca a fragilidade económica do País, que enfrenta desafios como inflação alta, desvalorização da moeda, mas asseguradas pela estabilidade política.
Os dois primeiros factores criam um ambiente difícil para negócios e investimentos, resultando em incertezas que podem investidores estrangeiros. afastar potenciais
Aquisição do SCB Angola
A Access Holdings Plc anunciou em Novembro último a conclusão da aquisição do Standard Chartered Bank Angola SA, sem revelar o preço, e do Standard Chartered Bank (Serra Leoa) Limited por sua subsidiária, Access Bank Plc. A transacção marcara um passo na estratégia de expansão do banco em África.
Na altura, Roosevelt Ogbonna, MD/CEO do Access Bank Plc e CEO do Grupo, expressou sua satisfação ao afirmar que “estamos felizes por ter concluído com sucesso duas aquisições significativas em Angola e Serra Leoa”.
Disse também que as aquisições proporcionariam sinergias que iriam fortalecer a qualidade dos lucros em ambos os países e aumentariam, igualmente, a participação no Corporate e SME banking.
A Access Bank comunicou também na altura que está agora posicionada para ampliar sua presença e influência nesses mercados estratégicos, dando sinais de seu compromisso com o crescimento sustentável e a excelência em serviços financeiros.
Ainda em Novembro último, as partes estavam também em negociações para concluir transacções adicionais que permitiriam ao Access Bank adquirir as subsidiárias do Standard Chartered Bank nos Camarões e na Gâmbia, além de operações de consumo, privadas e empresariais na Tanzânia.
As aquisições, segundo a Access Bank, reafirmam a visão de se tornar o banco africano mais respeitado do mundo, consolidando sua posição como um líder no sector bancário continental. AE
