A dívida pública angolana registou um aumento de 4% no primeiro trimestre de 2025, atingindo 59,10 biliões de kwanzas (cerca de 57,86 mil milhões de euros), segundo o Relatório de Execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) referente ao período, divulgado na semana passada. O crescimento é impulsionado pelo peso dos encargos financeiros, que representaram a maior fatia da despesa pública no trimestre.

De acordo com o relatório, os encargos financeiros totalizaram 3,24 biliões de kwanzas (aproximadamente 3,17 mil milhões de euros), dos quais 1,87 biliões de kwanzas (cerca de 1,83 mil milhões de euros) referem-se à dívida externa, um aumento de 127% face ao mesmo período de 2024. Este crescimento evidencia a pressão do serviço da dívida sobre as finanças públicas angolanas.

No mesmo período, as receitas arrecadadas atingiram 6,12 biliões de kwanzas (cerca de 5,99 mil milhões de euros), enquanto as despesas somaram 6,61 biliões de kwanzas (aproximadamente 6,47 mil milhões de euros), resultando num défice orçamental de 489,36 mil milhões de kwanzas (cerca de 479,08 milhões de euros).

Desempenho Setorial Desigual

O relatório aponta para uma execução orçamental desigual entre os setores. Os setores sociais, como educação e saúde, que detêm a segunda maior fatia do OGE, apresentaram desempenhos abaixo da média, com taxas de execução de apenas 12% e 16%, respetivamente. Em contrapartida, o setor da defesa e segurança destacou-se, com uma execução de 34% da verba atribuída.

Queda nas Receitas Diamantíferas

Outro destaque do relatório é a redução significativa nas receitas provenientes da produção de diamantes, que caiu 36% em relação ao trimestre anterior. Esta quebra resulta da diminuição do volume de produção e da desvalorização do preço médio por quilate, que passou de 351,65 dólares para 98,70 dólares.

Contexto e Implicações

O aumento da dívida pública e o peso dos encargos financeiros reforçam os desafios de gestão orçamental em Angola, num contexto de pressões externas e flutuações nos preços das matérias-primas. A baixa execução orçamental nos setores sociais, como educação e saúde, levanta preocupações sobre a capacidade de resposta às necessidades da população, enquanto o défice orçamental reflete a dificuldade em equilibrar receitas e despesas.

Este texto foi elaborado com base no Relatório de Execução do Orçamento Geral do Estado do 1.º trimestre de 2025, respeitando os padrões éticos e profissionais do jornalismo e as disposições da Lei de Imprensa Angolana, garantindo a veracidade e a imparcialidade da informação. JE

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