O país está prestes a inaugurar um edifício destinado a conservar a História da Presidência da República, um projecto que já terá consumido, pelo menos, 2 mil milhões de kwanzas, segundo cálculos do Valor Económico baseados nas despesas do Executivo inscritas no Orçamento Geral do Estado (OGE).

O programa, designado oficialmente como “estudo e construção de infra-estruturas para acomodação do património”, consta das despesas da Presidência desde 2021, substituindo o controverso projecto de “construção da galeria e biblioteca da Presidência da República”.

Da biblioteca ao museu: mudança de nome e propósito

O projecto original surgiu na proposta do OGE de 2020 revisto, com despesas de 1,2 mil milhões de kwanzas, mas foi retirado após contestação pública. Apesar da polémica, voltou a constar na proposta preliminar do OGE para 2021, agora com uma despesa superior a 3,163 mil milhões de kwanzas.

Na altura, fonte do Executivo garantiu ao Valor Económico que a inscrição resultou de um “lapso”. No OGE aprovado, o nome foi alterado para a designação actual, mantendo-se a dotação de 3,163 mil milhões de kwanzas.

Evolução das despesas

De acordo com a Conta Geral do Estado, o projecto apresenta a seguinte evolução financeira:

2021: Despesa orçamentada de 814 milhões de kwanzas, executados na totalidade.

2022: Dotação de 1,868 mil milhões de kwanzas, com execução de 535 milhões de kwanzas. Neste ano, a execução física estava fixada em 50%, elevando a despesa acumulada para 1,349 mil milhões de kwanzas.

2023: Orçamentados 332,208 milhões de kwanzas, gastos na totalidade.

2024: Orçamento de 112,320 milhões de kwanzas, mas a despesa efectiva alcançou cerca de 299 milhões de kwanzas.

Somadas as despesas dos últimos anos, o investimento acumulado ultrapassa os 2 mil milhões de kwanzas.

“Agrupar toda a memória do país”

Em 2021, fonte da Presidência da República explicou ao Valor Económico a razão da mudança de denominação do projecto. “Biblioteca está muito associada a uma sala de livros para as pessoas se deleitarem. Não é o caso, estamos a falar de um projecto para agrupar toda a memória do país”, defendeu a fonte.

A mesma fonte acrescentou que, desde a independência, os elementos materiais tangíveis sobre a Presidência da República nomeadamente livros e documentos históricos  nunca estiveram sujeitos a um processo coordenado de gestão. “Encontram-se dispersos, em forma de entulhos, nos porões e em várias áreas dos serviços, cuja identificação e recolha se afigura bastante complexa”, justificou.

Fonte: Valor Económico

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