Uma denúncia recebida aponta para a existência de uma alegada rede de corrupção envolvendo três elementos afectos à Polícia Nacional de Angola, supostamente ligados ao processo de recrutamento no Programa de Instrução Reforçada (PIR), em Luanda. Os visados — dois homens e uma mulher identificados como Nelson, Henrique e Raquel Muanda — terão exigido entre 100 mil e 500 mil kwanzas a candidatos em troca de acesso facilitado ao processo selectivo, segundo a fonte.

Como funcionava o alegado esquema

De acordo com a denúncia, Nelson, descrito como chefe de gabinete de um comandante, evitaria contacto directo com as vítimas. Henrique seria o responsável pela recepção dos valores monetários, enquanto Raquel Muanda actuaria como intermediária, recrutando candidatos e cobrando os pagamentos.

O montante de 100 mil kwanzas garantiria, alegadamente, o acesso ao processo regular de inspecção e recrutamento. Já o valor mais elevado — 500 mil kwanzas — permitiria uma suposta entrada directa, sem necessidade de cumprir os trâmites oficiais. Ainda segundo a mesma fonte, os documentos teriam sido preenchidos fora dos canais institucionais, nomeadamente na residência da alegada intermediária.

Envolvimento de profissionais de saúde

A denúncia refere ainda o eventual envolvimento de profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros do Hospital Josina Machel, que estariam a realizar exames médicos de forma irregular, alegadamente aos fins-de-semana, para facilitar o processo.

Até ao momento, não há confirmação oficial sobre a abertura de um inquérito ou a identificação formal dos suspeitos.

Posição institucional da Polícia Nacional

A Polícia Nacional de Angola tem reiterado, em várias ocasiões, o seu compromisso com a legalidade e a transparência nos processos de recrutamento, apelando à denúncia de práticas ilícitas que possam comprometer a credibilidade da instituição.

Em comunicados anteriores, a corporação já havia sublinhado a importância da colaboração da sociedade civil na fiscalização e denúncia de irregularidades, garantindo protecção aos denunciantes.

Fontes próximas ao processo defendem que uma investigação aprofundada será determinante para o eventual desmantelamento da alegada rede e para a responsabilização dos envolvidos, caso se confirmem as acusações.

Fonte: Club-K

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