O Estádio Nacional 11 de Novembro, construído originalmente para sediar o Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2010, volta a ser o principal beneficiário do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026 no setor desportivo. A infraestrutura receberá 3,8 mil milhões de kwanzas para reabilitação, além de 204 milhões de kwanzas destinados à sua manutenção anual.

Localizado na zona da Camama, em Luanda, o recinto maior do país, com capacidade para 50 mil espectadore foi contemplado com a verba mais expressiva entre todas as infraestruturas desportivas inscritas no OGE/2026. O montante total previsto para a sua requalificação ascende a 3.899.876.987 Kz, consolidando a prioridade do Governo angolano na recuperação do espaço emblemático.

A intervenção no estádio decorre em duas fases. A primeira, em 2023, contou com um aporte de 23,7 milhões de dólares, autorizado pelo Presidente da República, João Lourenço, para apoiar a preparação do Petro de Luanda na Superliga Africana. Já a segunda fase, concluída em setembro de 2025, recebeu 13,6 milhões de dólares, em antecipação ao amistoso entre as seleções de Angola e Argentina, realizado em 14 de novembro para comemorar os 50 anos da Independência Nacional.

Estádio da Tundavala em segundo lugar com 3,4 mil milhões

Em segundo lugar no ranking de investimentos do OGE 2026 surge o Estádio da Tundavala, na província da Huíla, também erguido para o CAN 2010. A infraestrutura terá 3,4 mil milhões de kwanzas para reabilitação e 120 milhões de kwanzas para manutenção e não “120 mil milhões”, conforme informação incorreta anteriormente divulgada.

Apesar das verbas anuais destinadas à conservação, alguns estádios continuam encerrados devido ao avançado estado de degradação. É o caso do Estádio do Chiaze, em Cabinda, que, embora tenha recebido 400 milhões de kwanzas em 2025 e esteja orçamentado com 101 milhões de kwanzas para 2026, encontra-se inativo e sem condições para sediar competições.

Governo avança com gestão privada de infraestruturas desportivas

Diante dos desafios na gestão pública dos recintos, o ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, anunciou que está iminente a concessão da gestão de estádios e pavilhões a entidades privadas. Em entrevista à TV Girassol, o governante afirmou que o modelo atual “não é sustentável”.

“O Estado não pode continuar a ser o gestor dessas infraestruturas. Os resultados são visíveis”, sublinhou Falcão, referindo-se à persistente degradação de espaços mesmo com verbas regulares.

O ministro frisou que a ideia não é apenas celebrar contratos de manutenção, mas sim transferir integralmente a responsabilidade operacional para o setor privado. “Fingimos que as entidades privadas que vão gerir esses espaços assumam, de facto, a responsabilidade pela manutenção. Esse é um pressuposto básico. Isso vai ‘exonerar’ o Estado das obrigações que tem de fazer manutenção”, explicou.

Segundo Rui Falcão, os cadernos de encargos estão em fase final de elaboração, e os concursos públicos para concessão deverão ser lançados em breve. A meta é garantir que as infraestruturas voltem a servir o desenvolvimento do desporto angolano, com gestão profissionalizada e sustentável.

Fonte: Novo Jornal

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