O Presidente da República, João Lourenço, autorizou esta semana o desembolso de 35 mil milhões de kwanzas (equivalentes a 33,2 milhões de euros) para dar início à reabilitação das infraestruturas da urbanização Nova Vida, no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda. O montante, a ser financiado pelo Banco Caixa Geral Angola, destina-se ao pagamento da entrada (downpayment) de um projecto global avaliado em cerca de 208 milhões de euros, cuja execução foi aprovada em Janeiro último.
De acordo com um despacho presidencial datado de 26 de Março, a ministra das Finanças, Vera Esperança dos Santos Daves, ficou habilitada a assinar os acordos necessários à operacionalização do financiamento. A medida surge numa altura em que centenas de famílias da Nova Vida convivem diariamente com estradas craterizadas pela erosão, redes de esgotos frequentemente obstruídas e postes de iluminação pública inoperantes – problemas que se agravaram nos últimos três anos devido à ausência de manutenção sistemática.
“Esta intervenção não é apenas uma obra de engenharia; é uma devolução de dignidade aos moradores”, sublinha um técnico do Ministério da Construção e Ordenamento do Território, que acompanha o dossier. “Vamos actuar em quatro frentes simultâneas: pavimentação, drenagem pluvial, redes de águas residuais e reposição da iluminação – tudo com critérios de sustentabilidade para evitar novas degradações prematuras.”
O projecto insere-se no plano mais amplo de requalificação urbana de Luanda, que prioriza bairros com elevada densidade populacional e histórico de investimento deficitário. A Nova Vida, construída na última década para albergar famílias realojadas de zonas consideradas de risco, tornou-se símbolo das dificuldades de manutenção do parque habitacional público angolano.
Num outro despacho do mesmo dia, o Chefe de Estado autorizou ainda um financiamento de 25,14 milhões de euros junto da ABANCA Portugal, S.A., com garantia do Banco Português de Fomento, destinado à reabilitação do troço Cuima/Cusse da Estrada Nacional 354 (65,8 quilómetros), nas províncias do Huambo e da Huíla – obra essencial para o escoamento agrícola da região.
Fonte: Jornal Económico com Lusa
