Gelson Brás, de 36 anos, responde em tribunal por crime contra criança de 12 anos ocorrido em 2020. Processo esteve parado quatro anos até intervenção da Ordem dos Cidadãos Solidários.

O Tribunal da Comarca de Viana iniciou ontem (9) o julgamento de Gelson Brás, cidadão angolano de 36 anos e ex-funcionário da Presidência da República, acusado de cometer actos de abuso sexual contra uma menor de 12 anos em 2020. O caso tem despertado grande interesse público, não apenas pela gravidade dos crimes contra menores, mas também pelas suspeitas de tentativas de obstrução à justiça.

Processo estagnado durante quatro anos

O caso tornou-se público em 2020 através de uma reportagem do portal Na Mira do Crime, quando a mãe da vítima denunciou que a queixa apresentada no Comando Municipal da Polícia de Viana parecia ter sido esquecida. O processo permaneceu inactivo durante mais de quatro anos, só sendo reactivado pela intervenção de uma equipa de advogados da Ordem dos Cidadãos Solidários (OCS), liderada por Osvaldo Carlos Salupula.

Após a divulgação da matéria, Gelson Brás moveu uma acção penal contra o portal, alegando danos morais. Paralelamente, a mãe da criança recusou uma proposta de um milhão de kwanzas e uma casa para retirar a queixa, mantendo-se firme na busca por justiça. A primeira audiência do processo movido pelo réu contra o portal realizou-se no dia 8 de Maio deste ano.

Depoimento do acusado levanta questões

Durante a sessão de ontem, o juiz responsável destacou o papel fundamental da equipa de defesa na localização do processo judicial, sublinhando a importância das diligências realizadas para retomar o caso. No interrogatório, Gelson Brás admitiu conhecer a menor, sua vizinha, e afirmou que ela costumava demonstrar afecto por ele.

O arguido relatou que, no dia dos factos, encontrou a menina na paragem do Zango 3 e ofereceu-lhe boleia. Segundo o seu depoimento, os dois passaram várias horas juntos entre as 18h00 e a meia-noite, consumindo bebidas alcoólicas. Gelson Brás disse que, ao ver que a menor tinha sono, a levou à casa de um amigo chamado Marito, onde a deixou.

O juiz confrontou o réu com o depoimento da vítima, segundo o qual os episódios de abuso teriam ocorrido primeiro dentro do carro do acusado e depois na residência de Marito, que também é investigado, mas não compareceu à audiência apesar de notificado.

Questionamentos sobre conduta do acusado

O advogado da acusação, Osvaldo Salupula, questionou o comportamento do réu ao oferecer álcool a uma menor e deixá-la sozinha na casa de um homem desconhecido à meia-noite. Gelson Brás respondeu que só tomou conhecimento da idade real da menor após a sua detenção.

Após várias horas de depoimentos e perguntas, o tribunal decidiu adiar o julgamento para o dia 1 de Setembro de 2025, visando dar tempo para análise de provas e ouvir testemunhas ainda pendentes.

Fonte: ISTO É NOTÍCIA

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