A vontade de ver Lionel Messi em ação no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, está a levar alguns adeptos a desembolsar até 50 mil kwanzas por um bilhete que, oficialmente, custava apenas 1.500 Kz. A informação foi apurada pelo Novo Jornal, numa altura em que a Federação Angolana de Futebol (FAF) declarou os ingressos para o amistoso entre Angola e Argentina como oficialmente esgotados.
O jogo, marcado para esta sexta-feira, 14 de novembro de 2025, gerou uma procura sem precedentes. Nos dois únicos dias de venda presencial sábado e domingo, os pontos oficiais registaram filas intermináveis. Contudo, a rapidez com que os cerca de 48 mil bilhetes desapareceram levantou suspeitas entre a população.
Na segunda-feira, 10, a FAF chegou a publicar um comunicado afirmando que ainda havia ingressos disponíveis e que a comercialização voltaria na terça-feira, 11. No entanto, nada foi vendido nesse dia. Surpreendentemente, na quarta-feira, 12, a instituição anunciou que os bilhetes estavam totalmente esgotados sem esclarecer como isso aconteceu tão rapidamente após dias sem venda.
“Como assim esgotados? Se quase nunca venderam bilhetes por um período de 6 a 7 horas seguidas? Quarenta e oito mil bilhetes em poucas horas não esgotam”, questionou Manuel António Kivuvu, um dos adeptos ouvidos pelo Novo Jornal.
Enquanto isso, nas redes sociais e em locais como a Cidadela Desportiva e a zona da sede da FAF, no bairro do Nova Vida, ingressos falsificados ou desviados estão a ser vendidos a preços exorbitantes: entre 45 e 50 mil Kz mais de 30 vezes o valor original.
Apesar das denúncias de revenda ilegal, não há registo de detenções por especulação de preços até ao momento.
Tensão e segurança reforçada
Paralelamente, a expectativa em torno do jogo é acompanhada por um forte esquema de segurança. Os o órgãos de defesa e segurança estão em máxima alerta para evitar protestos durante o encontro especialmente após os incidentes ocorridos na final do Afrobasket.
Nas redes sociais, circulam mensagens de adeptos que pretendem levar cartazes com a frase “tenemos hambre” (“temos fome”, em espanhol) para o estádio. Diante disso, a Polícia Nacional e os serviços de informação e segurança do Estado montaram uma operação integrada, com milhares de agentes em campo e apoio do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), que utiliza câmaras de vigilância visíveis e “invisíveis” para monitorizar movimentações suspeitas e impedir qualquer tipo de distúrbio.
Fonte: Novo Jornal
