O antigo director-geral adjunto do Jornal de Angola, Filomeno Jorge Manaças, publicou um artigo de opinião no diário estatal onde critica veementemente a posição do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) em relação à expulsão da equipa da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) do Palácio Presidencial. No texto, Manaças acusa o SJA de praticar um “corporativismo cego” ao apoiar a emissora portuguesa, confundindo, segundo ele, solidariedade profissional com activismo político.
A polémica teve início após a retirada da equipa da RTP da sala de imprensa da Cidade Alta, em 13 de Maio, onde cobriria um encontro entre o Presidente da República, João Lourenço, e o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior. A Presidência justificou a medida com base em “notícias tendenciosas” divulgadas pela RTP, culminando na revogação do acesso da emissora a eventos oficiais no Palácio, comunicada formalmente em 15 de Abril. Segundo o comunicado oficial, a RTP ignorou a notificação ao apresentar-se no local, sendo então convidada a retirar-se.
Manaças argumenta que o SJA, ao defender a RTP, ignora erros jornalísticos graves, como a referência à província de Cabinda como um “Estado”, o que considera uma violação do artigo 5.º da Constituição angolana, que define Angola como um Estado unitário. “Na RTP, sabem muito bem que não existe nem nunca existiu um Estado de Cabinda, tal como em Portugal não existe o Estado da Madeira ou o Estado dos Açores”, escreveu. Para o jornalista, a liberdade de imprensa não é absoluta e não pode sobrepor-se à soberania nacional, classificando a actuação da RTP como um “acto político” que justifica a resposta do Estado angolano.
O autor, que mantém uma longa ligação ao SJA, reconheceu a relevância histórica do sindicato e elogiou antigos líderes como Ismael Mateus, Luísa Rogério e Teixeira Cândido. Contudo, alertou contra uma “visão primária do sindicalismo” que, segundo ele, transforma o SJA num “instrumento de combate político”.
Quem é Filomeno Manaças?
Filomeno Jorge Manaças é uma figura proeminente e controversa no jornalismo angolano, com décadas de carreira e forte ligação aos sectores informativos do MPLA. Exerceu cargos no Jornal de Angola e na Revista Comércio Externo, além de ter sido nomeado adido de imprensa em Libreville, Gabão, numa indicação que não se concretizou por razões não esclarecidas. Formado em Direito pela Universidade Lusíada de Angola, Manaças é reconhecido por apoiantes como um profissional experiente e defensor da disciplina editorial. No entanto, críticos apontam-no como alinhado ao governo, acusando-o de influenciar uma linha editorial pró-governamental no Jornal de Angola e de limitar a cobertura equilibrada sobre partidos da oposição.
