Contrariando o discurso oficial de maior aproximação às instituições financeiras multilaterais, os acordos comerciais com bancos internacionais dominaram o panorama dos financiamentos externos autorizados pelo Presidente da República em 2025.

O Presidente da República, João Lourenço, autorizou ao longo de 2025 acordos de financiamento avaliados em mais de 12,4 mil milhões de dólares, representando um crescimento de 29,4% em relação aos cerca de 9,6 mil milhões de dólares autorizados no ano anterior. Os dados, apurados pelo Valor Económico, revelam uma tendência marcada pela prevalência de soluções comerciais sobre acordos com instituições financeiras multilaterais.

Durante o período em análise, foram aprovadas pelo menos 36 autorizações de financiamento. Logo em Janeiro, destacou-se o acordo com a Caixa Geral de Depósitos de Portugal, no valor equivalente a 669 milhões de dólares, destinado à construção e conclusão das infraestruturas da Marginal da Corimba.

Emissão de dívida soberana marca estratégia de diversificação

Em Fevereiro, a ministra das Finanças recebeu autorização para emitir dívida soberana no valor global de 4 mil milhões de dólares. A operação incluiu a emissão de instrumentos no mercado japonês, até ao limite de mil milhões de dólares, e o lançamento de Eurobonds até 3 mil milhões de dólares, com o objectivo de diversificar as fontes de financiamento e assegurar liquidez para despesas prioritárias do Orçamento Geral do Estado.

Entre os acordos de maior dimensão figura ainda a renovação de um financiamento com o JP Morgan, no montante de mil milhões de dólares. Já em Dezembro, João Lourenço autorizou um acordo de 600 milhões de dólares, na modalidade revolving, com a Gemcorp, destinado à implementação de projectos estratégicos com impacto no desenvolvimento socioeconómico do país.

Investimento em infraestruturas universitárias e de segurança

Após um intervalo em Março, sem autorizações registadas, a ministra das Finanças foi autorizada em Abril a assinar dois acordos, incluindo um financiamento equivalente a 148,8 milhões de dólares com o Deutsche Bank, destinado à construção de infraestruturas académicas de faculdades da Universidade Katyavala Bwila.

Em Junho, foi autorizado um acordo com o Investec Bank, do Reino Unido, no valor equivalente a 162,5 milhões de dólares, para a construção de infraestruturas académicas na Universidade José Eduardo dos Santos.

No mês seguinte, novo acordo com o Deutsche Bank foi rubricado, desta vez no valor de 295,6 milhões de dólares, destinado à construção da cadeia de alta segurança do Moxico. Em Setembro, a instituição alemã voltou a ser parceira num financiamento avaliado em cerca de 240 milhões de dólares, para a importação de bens destinados aos sectores da saúde, agricultura, comércio e acção social.

O Standard Chartered Bank também se destacou entre as instituições beneficiárias, com diversos financiamentos que, no conjunto, ultrapassam mil milhões de dólares.

Multilaterais com peso reduzido contrariam discurso oficial

Contrariando o discurso governamental de uma maior aposta em acordos com instituições financeiras multilaterais normalmente associadas a condições financeiras mais favoráveis, os cálculos do Valor Económico indicam que o Presidente da República autorizou acordos com estas entidades avaliados em apenas cerca de 794,9 milhões de dólares, o que representa menos de 7% do total.

Entre os acordos multilaterais, destacam-se os 250 milhões de dólares destinados à cobertura de pagamentos iniciais de Projectos de Investimento Público com a Africa Finance Corporation (AFC), e igual montante autorizado com o Banco Mundial para um projecto de criação de oportunidades de negócio. Foi ainda autorizado um financiamento de 117,3 milhões de dólares com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para o programa de apoio ao desenvolvimento da agricultura.

Fonte: Valor Económico

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