Higino Carneiro, destacado militante do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), comunicou formalmente ao presidente do partido e da República, João Lourenço, a sua intenção de concorrer ao cargo de Presidente da República nas eleições previstas para Agosto de 2027. O encontro, que decorreu na segunda-feira, 02 de Junho, na sede nacional do MPLA, em Luanda, foi marcado por discrição, com orientações internas para manter sigilo sobre a reunião.

Segundo informações apuradas, a audiência entre Higino Carneiro e João Lourenço durou cerca de uma hora e realizou-se na Sala do Secretariado, no rés-do-chão da sede do partido. A direcção do MPLA optou por não divulgar detalhes sobre o encontro, limitando-se a publicar, na sua página oficial no Facebook, uma nota sobre a visita de João Lourenço às obras do novo edifício-sede do partido. A publicação, datada de 02 de Junho, destacou apenas a presença do líder com membros da direcção e empreiteiros, sem qualquer menção à reunião com Carneiro.

Uma Candidatura que Desafia a Estratégia do MPLA

Conforme antecipado no editorial do Notícias de Angola (NJ) de 09 de Maio, intitulado “E se Higino avançar?”, Carneiro informou previamente o líder do partido sobre a sua decisão, respeitando a disciplina partidária. Durante o encontro, o militante terá afirmado que a sua candidatura visa promover “estabilidade, sustentabilidade, equilíbrio, independência e credibilidade das instituições”, sem intenções de confrontar a actual liderança.

A reacção de João Lourenço foi descrita como pragmática, com o presidente a afirmar que “tomou nota” da pretensão de Carneiro. Contudo, a candidatura representa um desafio à estratégia do líder, uma vez que não estava prevista nos planos de João Lourenço, segundo fontes próximas. A possibilidade de múltiplas candidaturas no seio do MPLA para a presidência do partido abre um novo cenário político, com o Bureau Político e o Comité Central a terem a responsabilidade de aprovar o candidato oficial para as eleições de 2027.

Reacções e Implicações Políticas

A discrição imposta pelo MPLA sobre o encontro e a ausência de menção oficial à candidatura de Carneiro sugerem desconforto interno. Relatos indicam que textos anónimos ou com recurso a perfis falsos, publicados em plataformas digitais, procuraram desmentir a reunião e atacar Higino Carneiro, o que pode ser interpretado como um sinal de tensão dentro do partido.

De acordo com a Constituição angolana, os candidatos à Presidência da República devem ser apresentados por partidos políticos ou coligações, com as candidaturas submetidas ao Tribunal Constitucional. Uma fonte próxima do processo afirmou: “O líder foi informado, a decisão foi formalizada e a disciplina partidária foi respeitada. Agora é avançar.”

Fonte: Novo Jornal

 

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