O jornal electrónico Imparcial Press voltou esta terça-feira a estar plenamente operacional, depois de permanecer fora do ar durante dois dias na sequência de um ataque informático ainda por esclarecer. O incidente impediu o acesso de milhares de leitores em todo o país às suas publicações e plataformas digitais, num momento em que a informação independente constitui uma referência para muitas famílias angolanas que acompanham o dia-a-dia político e económico através do telemóvel.
A Direcção do órgão agradeceu publicamente a paciência e a solidariedade manifestadas por leitores, parceiros e colegas de profissão durante a interrupção forçada. “O Imparcial Press não pode ignorar o contexto político e mediático em que este incidente ocorre”, lê-se no comunicado difundido logo após o restabelecimento do site.
Embora as causas técnicas do ataque continuem a ser analisadas, o jornal associa o episódio ao ambiente cada vez mais hostil enfrentado pelo jornalismo investigativo em Angola, marcado por pressões, intimidações e obstáculos de natureza económica e digital.
Pressões crescentes sobre a imprensa independente
Nos últimos anos, órgãos de comunicação social independentes têm sido alvo frequente de perseguições selectivas sempre que abordam temas como corrupção, má governação ou violação de direitos humanos. Em vez de garantir um ambiente seguro e plural, o Executivo angolano tem falhado, segundo o Imparcial Press, em criar condições reais de protecção para o exercício livre do jornalismo.
Este portal contactou o Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MINTTICS) e aguarda resposta oficial sobre eventuais investigações ao incidente e medidas de protecção adoptadas para os órgãos de comunicação social.
A interrupção do site, mesmo sem autoria identificada, insere-se, na perspectiva do Imparcial Press, num padrão preocupante de obstáculos ao livre exercício da profissão, afectando directamente o direito constitucional dos cidadãos à informação plural.
Reafirmação de missão e apelo às autoridades
Num país que se afirma comprometido com a democracia e o Estado de Direito, o comunicado considera “inaceitável” que órgãos independentes fiquem expostos a vulnerabilidades técnicas e institucionais sem protecção efectiva das autoridades.
O Imparcial Press reafirma que não se deixará silenciar: “Continuaremos a cumprir a nossa missão de informar com rigor, independência e responsabilidade, dando voz aos cidadãos e escrutinando o poder”.
O apelo final é dirigido às autoridades angolanas para que deixem de encarar o jornalismo investigativo como inimigo político e passem a tratá-lo como pilar essencial da democracia, garantindo condições reais de segurança, liberdade e respeito para todos os profissionais da comunicação social.
Fonte: Imparcial Press
