Pagamento de seis meses foi efetuado, mas estudantes criticam atrasos.
O Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE) realizou, na última semana, o pagamento de subsídios atrasados referentes aos meses de Outubro a Março do ano lectivo 2024/2025, a dois meses do término do período académico. O valor foi depositado diretamente nas contas dos bolseiros internos, que agora são responsáveis por pagar as propinas às instituições de ensino superior (IES), uma mudança em relação aos anos anteriores, quando o INAGBE efetuava os pagamentos diretamente às universidades.
Segundo o INAGBE, o processamento dos subsídios de Abril a Julho, que completa o ano lectivo, está previsto para a primeira quinzena de Junho. A instituição destacou que está em curso um trabalho articulado com as IES para garantir a inclusão de novos bolseiros em protocolos que facilitarão pagamentos diretos no futuro. “Estamos a cumprir os procedimentos para que os subsídios sejam processados antes do fim do ano lectivo”, afirmou o instituto em comunicado.
Estudantes relatam dificuldades
Márcia de Carvalho, estudante do primeiro ano de Telecomunicações na Universidade Católica de Angola (UCAN), confirmou o recebimento de 330 mil kwanzas, equivalente a seis meses de subsídio, calculado a 55 mil kwanzas mensais para bolseiros de graduação. Estudantes de pós-graduação recebem 100 mil kwanzas por mês. Contudo, Márcia questionou a nova dinâmica de pagamento: “Recebi o valor total, mas era suposto o INAGBE pagar a propina diretamente à universidade para evitar problemas, como a expulsão de sala por falta de pagamento. Ainda assim, o depósito foi feito.”
Outro bolseiro, Pedro Pinto, lamentou os atrasos sem justificativa. “Tive de fazer dívidas para pagar transporte e outras despesas enquanto aguardava o subsídio”, desabafou. Ele reforçou que o modelo anterior, com pagamento direto às IES, era mais eficaz para evitar penalizações acadêmicas.
Auditoria do Tribunal de Contas segue sem desfecho
Paralelamente, a antiga gestão do INAGBE permanece sob auditoria do Tribunal de Contas desde Dezembro de 2024, devido a suspeitas de desvios de fundos e irregularidades. A investigação identificou pagamentos de mais de 830 milhões de kwanzas a fornecedores sem documentação de suporte, além de transferências em dólares e euros sem justificativa clara. Apesar de a divulgação dos resultados estar prevista para Abril, até o momento não houve atualizações públicas, mantendo um silêncio que gera especulações.
O INAGBE reafirmou seu compromisso com a formação de quadros nacionais por meio de bolsas de estudo, garantindo a regularidade nos pagamentos a bolseiros internos e externos. A instituição não comentou sobre os resultados da auditoria em curso. Expansão
