A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) adjudicou à empresa espanhola Indra o concurso para fornecimento de solução tecnológica nas eleições gerais de 2027, num processo que contou com quatro concorrentes e integrou um conjunto de dez concursos públicos lançados no final de 2025 para preparação do pleito. A escolha reacendeu o debate sobre transparência, já que a Indra tem estado na origem de contestações por parte da oposição e da sociedade civil nas últimas quatro eleições realizadas no país.
Segundo Manuel Camaty, porta-voz da CNE – recentemente designado para o cargo –, a instituição recebeu propostas de 237 empresas interessadas nos dez concursos abertos, tendo apenas 72 sido aprovadas para adjudicação. “Queremos preparar as eleições com alguma antecedência e desta vez temos um tempo suficiente para garantir que tudo decorra com a necessária organização”, afirmou Camaty em conferência de imprensa realizada na sede da CNE, em Luanda.
O porta-voz explicou que a Indra foi seleccionada para o lote de solução tecnológica porque as restantes concorrentes “não instruíram devidamente os seus processos”, reforçando que todo o procedimento decorreu com transparência e em conformidade com a legislação em vigor. A empresa espanhola fornece sistemas de suporte eleitoral em Angola desde 2008, tendo participado nas eleições de 2012, 2017 e 2022.
Contudo, a sua actuação tem sido objecto de contestação por parte da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e organizações da sociedade civil, que alegam irregularidades nos resultados eleitorais anteriores. Recentemente, a UNITA – principal força da oposição – submeteu ao Tribunal Constitucional uma providência cautelar questionando o concurso que levou à selecção da Indra para 2027. A CNE aguarda a posição do órgão judicial sem, contudo, interromper os preparativos logísticos.
Além da solução tecnológica, os dez concursos públicos abrangeram a aquisição de kits de educação cívica eleitoral; camisolas e bonés para agentes; geradores e kits de iluminação; viaturas ligeiras de passageiros; serviços de georreferenciação, mapeamento e actualização de cadernos eleitorais; meios informáticos; ração fria para membros de mesas de voto; material de apoio (mesas, cadeiras e tendas); e transporte e distribuição da logística eleitoral.
A CNE reitera que o alargamento do calendário de preparação visa reforçar a credibilidade do processo eleitoral e permitir uma fiscalização mais atenta por parte de todos os actores envolvidos – partidos políticos, observadores nacionais e internacionais e sociedade civil – num momento em que o país se prepara para um dos exercícios democráticos mais aguardados da última década.
Fonte: LUSA

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