O Presidente da República de Angola e Presidente em Exercício da União Africana, João Lourenço, abriu neste domingo a 2ª Cimeira África-CARICOM, realizada em Adis Abeba, com um discurso marcado pela defesa da justiça reparatória e pelo reforço dos laços históricos e estratégicos entre África e as Caraíbas.
Lourenço destacou que a reunião, sob o lema “Parceria Transcontinental na Busca da Justiça para os Africanos e os Afrodescendentes através de Reparações”, representa um passo decisivo na consolidação de uma frente comum entre os dois blocos. “Estamos reunidos hoje não apenas por afinidades históricas, mas pela determinação comum de transformarmos as cicatrizes do passado em pontes de solidariedade, cooperação e justiça”, afirmou.
No seu discurso, o Chefe de Estado realçou os avanços registados desde a primeira cimeira, em 2021, como a instalação do escritório do AfreximBank nas Caraíbas, a realização de fóruns de comércio e investimento e a assinatura de um memorando de entendimento entre a União Africana e a Comunidade das Caraíbas. Sublinhou, no entanto, a necessidade de novos compromissos, como acordos aéreos diretos, isenção de vistos, maior intercâmbio cultural e académico, e investimentos conjuntos em setores estratégicos como energia, agroindústria, economia azul e inovação digital.
O Presidente angolano defendeu ainda a criação de subcomités técnicos permanentes e a institucionalização de um Conselho da Juventude UA-CARICOM, de forma a colocar as novas gerações no centro do processo de construção do futuro comum.
No plano internacional, João Lourenço alertou para os efeitos das crises globais sobre os países do Sul, defendendo a reforma do sistema das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança, para garantir maior representatividade das regiões historicamente marginalizadas.
O discurso encerrou com uma mensagem de solidariedade ao povo palestino, reafirmando o apoio à criação de um Estado independente que conviva em paz com Israel.
“Tenho a certeza de que esta Cimeira representará um marco determinante na ação prática que doravante a África e as Caraíbas realizarão, para que as palavras carregadas de emoção e esperança se transformem no farol que nos guiará para a prosperidade e o progresso”, declarou João Lourenço ao oficializar a abertura da cimeira.
