O Presidente da República, João Lourenço, garantiu esta quarta-feira que a electrificação do Triângulo dos Dembos está entre as prioridades do Executivo e deve concretizar-se em breve. A declaração foi feita durante a inauguração da fábrica de alumínio na Zona Franca da Barra do Dande, província do Bengo.

“A electrificação do Triângulo dos Dembos está nas nossas prioridades. Portanto, a qualquer altura, este projecto, que é antigo e muito reclamado pelas Autoridades da província do Bengo, vai acontecer”, afirmou o Chefe de Estado aos jornalistas.

Vandalização: “criminosos são assassinos”

Num discurso contundente, João Lourenço classificou os vândalos de infraestruturas energéticas como “criminosos” e “assassinos”, defendendo penas severas para quem destrói bens públicos.

O Presidente descreveu cenários dramáticos provocados pela sabotagem: estudantes impedidos de estudar, doentes a morrer em blocos operatórios por falta de energia e indústrias paralisadas com prejuízos avultados.

“Cada vez que ele vandalize uma torre, a sua própria família, no bairro, pode ficar sem energia. O doente que está no bloco operatório a ser operado, a meio da operação, fica sem energia. Como é que fica? O doente morre! Quem é que matou esse doente? É o vândalo”, denunciou João Lourenço, apelando à convergência dos três poderes do Estado e à denúncia popular.

Diversificação económica e aposta no alumínio

A nova fábrica de alumínio representa um marco na estratégia de diversificação económica do país, que pretende reduzir a dependência do petróleo bruto. O Presidente sublinhou que Angola exporta “quase que exclusivamente o crude, ainda por cima na sua forma bruta”, situação que deve mudar com a entrada em funcionamento da Refinaria do Lobito.

João Lourenço defendeu a transformação de matérias-primas no país para acrescentar valor, gerar emprego e aumentar as exportações. “Precisamos de transformar grande parte das matérias-primas que são extraídas do nosso país, ou mesmo importadas. Transformá-las aqui, acrescentar-lhes valor, dando emprego e aumentando a nossa exportação”, explicou.

Investimento privado como motor de crescimento

O Chefe de Estado reiterou que Angola não pode crescer apenas com investimento público, sendo fundamental atrair capital privado nacional e estrangeiro. Quanto a incentivos fiscais, foi claro: “Quem é investidor privado sabe que tem de pagar impostos. E não se pode condicionar o investimento privado a benefícios fiscais”.

Apontou, contudo, o baixo custo da energia em Angola como factor competitivo. “A energia em Angola é muito barata. Isso deve ser visto pelos industriais como uma forma de incentivo”, referiu, acrescentando que o país tem excedente de produção energética que precisa ser canalizado para o consumo industrial.

Preços e impacto económico

Questionado sobre eventual redução de preços com a nova fábrica, João Lourenço adoptou postura cautelosa: “Ainda nem começamos a produzir e já está a pensar nos preços? A economia diz que quando a oferta é grande, a tendência é os preços baixarem. Portanto, se quer que eu fale no geral, a tendência será essa”.

O Presidente destacou que o alumínio, juntamente com o aço e o cimento, são “bens essenciais” para a industrialização. Angola já produz cimento e iniciará agora a produção de alumínio, faltando apenas o aço para completar o triângulo industrial básico.

Zona Franca aberta a novos investimentos

A Zona Franca da Barra do Dande permanece aberta a novos projectos privados. João Lourenço esclareceu que o papel do Estado será garantir a infraestruturação dos terrenos, energia e água, cabendo ao sector privado os restantes investimentos.

“Quem vai investir aqui, por enquanto a gente não sabe. São bem-vindos todos aqueles que queiram fazer investimento privado de relevo aqui, nesta Zona Franca da Barra do Dande”, concluiu.

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