O Presidente da República de Angola e Presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, participou na noite de quarta-feira, em Bruxelas, na Cimeira da Aliança Global para as Vacinas (GAVI), onde destacou o papel crucial da organização na prevenção de doenças e na promoção da equidade no acesso à saúde. Num discurso marcado por apelos à solidariedade global, o Chefe de Estado angolano sublinhou que as vacinas são ferramentas de justiça social, esperança e desenvolvimento económico.
Dirigindo-se a Chefes de Estado, parceiros internacionais e ao presidente do Conselho de Administração da GAVI, José Manuel Durão Barroso, João Lourenço enfatizou a importância de mobilizar 9 mil milhões de dólares para o período 2026-2030. Este financiamento permitirá vacinar 500 milhões de crianças e salvar entre 8 a 9 milhões de vidas. “Não se trata apenas de um investimento, é um dever moral, um pacto com as próximas gerações”, afirmou.
O Presidente destacou os avanços alcançados em Angola com o apoio da GAVI, incluindo a introdução de sete novas vacinas que combatem doenças como pneumonia e diarreias virais, principais causas de mortalidade infantil. Angola prepara-se agora para implementar vacinas contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) e a malária, esta última a maior causa de morte no país. Além disso, o país registou progressos na recuperação de crianças “zero dose”, no combate a surtos epidémicos e na modernização do sistema de saúde, com cadeias de frio alimentadas por energia solar e digitalização de dados.
João Lourenço defendeu ainda uma maior autonomia africana na produção de vacinas, apoiando a iniciativa African Vaccine Manufacturing Accelerator (ADMA). “África não é apenas beneficiária, está pronta para ser coautora da nova era da imunização global”, declarou, apelando à transferência de tecnologia e à capacitação científica da juventude africana.
O discurso reforçou a visão de Angola e da União Africana para um futuro onde a saúde seja um pilar de prosperidade, com foco na juventude, que representa mais de 60% da população do continente. “Vacinar uma criança é proteger o futuro através de uma segurança sanitária global”, concluiu.
