Presidente João Lourenço durante reunião virtual de emergência sobre surto de cólera em África com líderes africanos e representantes da OMS
A União Africana (UA) celebrou dia 30 de Janeiro, na sua sede em Adis Abeba, o Dia da Paz e Reconciliação em África, numa sessão solene do Conselho de Paz e Segurança marcada pela mensagem contundente do Presidente angolano, João Lourenço, na qualidade de Chefe de Estado em exercício da UA e Campeão da União Africana para a Paz e a Reconciliação.
A data, instituída em maio de 2022 durante uma sessão extraordinária em Malabo, recorda o compromisso colectivo dos Estados africanos com a estabilidade continental, face aos desafios persistentes de golpes de Estado, terrorismo, extremismo violento e conflitos comunitários.

“Paz é dever moral e necessidade estratégica”, afirma João Lourenço

Numa intervenção transmitida por vídeo, o Presidente João Lourenço fez um apelo solene à união africana, lembrando que “a paz não é apenas ausência de guerra, mas um esforço contínuo para reparar injustiças históricas” citando Nelson Mandela.
“Este dia é mais do que uma celebração. É um convite à reflexão profunda sobre os nossos desafios comuns. Divididos, somos fracos; unidos, África pode tornar-se uma das maiores forças para o bem no mundo”, disse, evocando também Kwame Nkrumah.
Lourenço destacou a importância de reforçar os mecanismos continentais de prevenção e resolução de conflitos, sublinhando que a UA já dispõe das estruturas necessárias, mas carece de maior convergência política entre os Estados-membros para garantir a sua eficácia.

Angola partilha lições da reconstrução pós-guerra

Durante a sessão, o Embaixador Miguel Bembe, Representante Permanente de Angola junto da UA, apresentou a experiência nacional no processo de paz e reconciliação após o fim do conflito armado interno.
Angola foi citada como exemplo de superação de divisões profundas, com ênfase na construção de instituições estáveis, promoção do diálogo interétnico e inclusão social de ex-combatentes. As experiências de Serra Leoa e África do Sul foram igualmente partilhadas, reforçando a troca sul-sul de boas práticas.

Jovens e mulheres no centro da cultura de paz

O Presidente angolano reiterou a necessidade de envolver activamente mulheres e jovens nos processos de mediação e prevenção de conflitos, considerando-os não apenas vítimas, mas actores-chave da transformação social.
“As suas vozes devem ser ouvidas. Têm muito a dizer sobre como construir pontes onde hoje há muros”, afirmou, referindo-se ao papel crescente do Fórum Pan-africano para a Cultura da Paz e Não-Violência em África.
Nesse sentido, anunciou a realização da IVª edição da Bienal de Luanda Internacional de Artes e Cultura para a Paz, prevista para outubro de 2026. O evento, organizado em parceria com a UA e a UNESCO, será um espaço de expressão artística, diálogo geracional e inovação social, com foco na juventude africana.

Um continente que escolhe a esperança

A sessão terminou com um chamamento ao espírito colectivo africano: transformar vulnerabilidades em força, divisões em unidade, ameaças em oportunidades.

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