Na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, participou esta quinta-feira, 25 de Setembro, num evento paralelo à 80ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, dedicado a debater estratégias para a aceleração do desenvolvimento industrial em África. Organizado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), o encontro reuniu líderes africanos, com destaque para governantes e ministros, que discutiram os desafios e as oportunidades para a industrialização do continente.
Em sua intervenção de abertura, João Lourenço destacou a importância da Quarta Década de Desenvolvimento Industrial para África (IDDA IV), que sucede à terceira década (2016-2025), proclamada pela ONU. O Presidente sublinhou a necessidade de infraestruturas adequadas, inovação tecnológica e cadeias de valor integradas para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a transformação estrutural almejada por África.
Angola como plataforma logística e energética
Durante um diálogo com a moderadora do evento, João Lourenço apresentou as conquistas de Angola no caminho da industrialização. O Presidente destacou os investimentos do Executivo na geração de energia eléctrica, com ênfase no excedente energético do país e nos planos para novos aproveitamentos hidroeléctricos na bacia do Kwanza.
“Angola tem investido em infraestruturas estratégicas, como o Corredor do Lobito, que conecta o Atlântico ao interior do continente, promovendo o país como uma plataforma logística regional”, afirmou.
Lourenço também mencionou a cooperação de longa data com a ONUDI, materializada no Programa-Quadro de 2016, que apoia a diversificação económica e o ODS 9 (indústria, inovação e infraestruturas). Entre os resultados, estão a criação de Parques Industriais Rurais e programas de substituição de importações, que fortaleceram a produção nacional.
ZCLCA como alavanca do crescimento
O Presidente enalteceu a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), ratificada por 49 Estados e considerada o maior espaço de comércio livre desde a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC). “A ZCLCA tem o potencial de aumentar o comércio intra-africano entre 15% e 25%, gerando mais oportunidades de exportação e valor acrescentado para a indústria e serviços”, destacou Lourenço.
Cimeira de Luanda: próximo passo para o financiamento de infraestruturas
O evento, intitulado “Acelerar a Industrialização de África: Mobilização de Alto Nível para o IDDA IV”, foi descrito pelo Presidente como um “apelo à acção imediata”. Lourenço defendeu a mobilização de financiamento inovador, parcerias público-privadas e a capacitação de jovens para liderar a revolução digital e energética.
“A industrialização é indispensável para a autossuficiência e soberania económica de África, alinhada com a justiça social e a preservação ambiental”, reforçou.
O Presidente anunciou ainda a realização, em Outubro, da Cimeira sobre Financiamento de Infraestruturas em Luanda, uma iniciativa lançada por Angola em Fevereiro, em Adis Abeba. O evento pretende alinhar investimentos estratégicos e consolidar parcerias regionais e internacionais para o desenvolvimento do continente.
Compromisso com a Agenda 2063
João Lourenço reafirmou o compromisso de Angola com a Agenda 2063 da União Africana, que reconhece a industrialização como motor estratégico para a transformação do continente, com foco em sectores como a agroindústria, pequenas e médias empresas, economia verde e cadeias de valor regionais. O Presidente destacou a importância de conectar a agricultura, que representa 17% do PIB africano e emprega cerca de 50% da população da África Subsariana, à industrialização, para fortalecer cadeias de valor regionais.
O evento em Nova Iorque contou com a presença do Director-Geral da ONUDI, Gerd Müller, e do Presidente da Comissão da União Africana, Mahamoud Ali Youssouf, reforçando a relevância do diálogo para o futuro industrial do continente.
