O Presidente da República de Angola e presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, participou na 17.ª Cimeira dos BRICS, realizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, onde reforçou o papel da África na redefinição da arquitectura de governação global.
Na sua intervenção, feita na qualidade de representante da União Africana, o Chefe de Estado angolano discursou no painel “Fortalecer a Cooperação do Sul Global para uma Governação mais Inclusiva e Sustentável”, sublinhando a urgência de se repensarem as instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial. “As nações do mundo têm lidado há décadas com instituições que, face às mudanças das últimas oito décadas, precisam de se adaptar às novas realidades”, afirmou.
A cimeira deste ano assinala a expansão oficial do bloco BRICS — agora composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão — num momento em que o panorama geopolítico e económico internacional se encontra em transformação acelerada.
Multilateralismo, desenvolvimento e equidade global
Lourenço destacou que o multilateralismo está a ser posto em causa e apelou à revitalização de parcerias estratégicas entre os países do Sul Global, com especial atenção à agricultura, saúde, educação, ciência, tecnologia, energia e transportes. “As desigualdades persistem, e precisamos de alianças estruturantes para garantir um desenvolvimento partilhado e sustentável”, frisou.
Neste contexto, anunciou a realização, em Outubro deste ano, de uma conferência da União Africana em Angola, sob o lema “Infra-estruturas como Factor de Desenvolvimento em África”, com o intuito de mobilizar investimento internacional e acelerar projectos estratégicos no continente.
Paz duradoura e estabilidade regional
Num tom firme e conciliador, o Presidente João Lourenço defendeu uma resolução pacífica de conflitos armados, lançando um apelo ao fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, assim como aos confrontos entre a República Democrática do Congo e o Ruanda. Demonstrou particular preocupação com os focos de terrorismo no Sahel, no Corno de África e a instabilidade no Sudão.
Sobre o Médio Oriente, condenou os ataques à população palestiniana e apelou ao respeito pelas resoluções das Nações Unidas que preconizam a criação de um Estado Palestino, com o fim dos colonatos como passo imprescindível para a paz duradoura na região.
África e BRICS: uma parceria estratégica
O estadista angolano sublinhou que a cooperação entre África e os países BRICS constitui uma oportunidade histórica para consolidar o papel do Sul Global na nova ordem económica internacional. Elogiou, ainda, o Brasil pela liderança do bloco e pela atenção às aspirações do continente africano, valorizando os laços históricos e culturais que unem ambos os lados do Atlântico.
Ao encerrar, João Lourenço defendeu que os BRICS têm um papel fundamental na promoção de uma ordem económica global mais equitativa, que favoreça o comércio justo, o investimento produtivo e o acesso a financiamento com condições mais vantajosas para os países em desenvolvimento.
