O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, foi eleito hoje Presidente em exercício do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD (Agência de Desenvolvimento da União Africana), sucedendo ao egípcio Abdel Fattah El-Sisi na condução da principal estrutura executiva da Agenda 2063 o plano continental que visa transformar África numa potência global até 2063. A eleição decorreu durante a Quadragésima Terceira Sessão do órgão, realizada em formato virtual sob a presidência cessante do Chefe de Estado egípcio.
Para o cidadão angolano, esta liderança traduz-se num impulso directo para projectos que tocam o dia-a-dia: desde a expansão das redes de energia e transportes regionais até ao financiamento de infra-estruturas digitais que poderão reduzir o custo da internet e melhorar a conectividade nas zonas rurais. A AUDA-NEPAD actua como catalisador de investimentos estruturantes, e a presidência angolana permitirá priorizar iniciativas alinhadas com as necessidades nacionais, nomeadamente na integração dos corredores logísticos que ligam o Atlântico ao Índico.
No seu discurso de aceitação do cargo que prevê um mandato de dois anos, o Presidente Lourenço destacou que a Agência “consolidou-se como um verdadeiro instrumento continental de execução de projectos estruturantes”, sublinhando o papel de Angola na dinamização deste processo. Lembrou que, em Outubro de 2025, Luanda acolheu a III Cimeira de Financiamento para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, evento que mobilizou 43,9 mil milhões de dólares para projectos regionais nos sectores de transportes, energia, água e infra-estruturas digitais.
“Estes avanços confirmam o papel central da AUDA-NEPAD como integradora da acção continental, alinhando liderança política, preparação técnica e governação”, afirmou o Chefe de Estado, reforçando que os projectos do PIDA (Programa para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África) devem ser tratados como “activos continentais”, com mecanismos de governação robustos e juridicamente vinculativos.
O Presidente angolano apontou ainda três prioridades para o próximo ciclo de actuação da Agência: acelerar o desenvolvimento do capital humano jovem através de iniciativas como “Energize Africa” e a “Iniciativa de Competências para África”; reforçar a mobilização do investimento africano próprio; e afirmar com firmeza a voz do continente nos fóruns globais, incluindo debates sobre a reforma da arquitectura financeira internacional e o financiamento climático temas cruciais para países como Angola, vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.
Num apelo dirigido aos Estados-membros, Lourenço sublinhou a “urgência e incontornável importância de cumprirmos com regularidade as contribuições financeiras”, condição indispensável para que a instituição cumpra cabalmente as suas responsabilidades. Angola, reafirmou, “está comprometida com esta visão e disponibiliza-se para assumir responsabilidades” no Comité de Orientação.
A eleição de João Lourenço ocorre numa altura em que o seu mandato como Presidente rotativo da União Africana se aproxima do fim (15 de Fevereiro), mas consolida a posição de Angola como actor estratégico nos processos de integração continental um estatuto que poderá traduzir-se em benefícios tangíveis para a economia nacional, desde o acesso a linhas de financiamento preferenciais até à atracção de projectos industriais alinhados com o Programa para o Desenvolvimento Industrial Acelerado de África (PAIDA).

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