O Presidente da República, João Lourenço, inaugurou este sábado o Complexo Paralímpico José Armando Sayovo, uma moderna infraestrutura de alto rendimento dedicada ao desporto adaptado, cumprindo uma promessa eleitoral feita em 2022. Localizado na província do Bengo, o centro representa um marco na promoção do desporto inclusivo em Angola, com potencial para formar novos campeões e atrair competições internacionais.

O evento, realizado em Caxito, capital do Bengo, destacou o compromisso do Governo com o desenvolvimento desportivo, especialmente para atletas com deficiência. Batizado em homenagem a José Armando Sayovo campeão paralímpico e mundial em atletismo adaptado, com medalhas de ouro, prata e bronze nos 100, 200 e 400 metros, o complexo oferece valências completas para treino e estágio em modalidades como atletismo, futebol adaptado e halterofilismo.

Cumprimento de uma Promessa Eleitoral em Tempo Recorde

Durante a campanha para a reeleição em 2022, João Lourenço prometeu a construção deste centro no Bengo.

“O sentimento é o do dever cumprido. Nós assumimos um compromisso e, em menos de três anos, conseguimos tornar essa promessa em realidade”, declarou o Presidente aos jornalistas presentes, incluindo representantes da Rádio 5, TPA, Jornal de Angola e Rede Girassol.

A obra, iniciada após o lançamento da primeira pedra em junho de 2022, foi concluída seis meses antes do previsto, sem comprometer a qualidade.

“Não obstante ter sido executada em tempo recorde, a qualidade da obra não foi prejudicada. Estamos perante uma infraestrutura de muito alta qualidade, com todas as valências”, enfatizou Lourenço.

O Presidente destacou os feitos dos atletas angolanos, que já conquistaram medalhas internacionais sem instalações adequadas. “Sem ela, trouxeram um número invejável de medalhas de ouro, de prata e de bronze. Portanto, acreditamos que esta infraestrutura vai produzir muitos Sayovos e muitos outros campeões de outras modalidades do paralímpico”, afirmou, citando o futebol adaptado e o halterofilismo como exemplos de sucesso.

Modelo de Gestão e Objetivos Estratégicos

Questionado pela TPA sobre o modelo de gestão, o Chefe de Estado indicou que cabe ao Ministério da Juventude e Desportos, em conjunto com o Comité Paralímpico e possivelmente o Comité Olímpico, definir as diretrizes. “Pretendemos que a gestão seja competente. Primeiro, para conseguir manter o que foi construído. Não deixar degradar. E tirar o máximo proveito de todas as valências”, explicou.

Além do treino de atletas nacionais, o complexo visa atrair eventos internacionais. “O objetivo não é apenas treinar e garantir estágios aos atletas paralímpicos, e não só. Mas também procurar atrair competições internacionais, quer africanas, quer do resto do mundo, para projetar ainda mais o bom nome de Angola no domínio do desporto no geral, mas em particular no Paralímpico”, sublinhou o Presidente.

Expansão de Infraestruturas Desportivas no Horizonte

Em resposta ao Jornal de Angola, João Lourenço confirmou planos para replicar infraestruturas semelhantes em outras modalidades, como basquetebol e andebol.

“Já foi anunciada a construção de vários pavilhões multiuso, pavilhões gimnodesportivos. Esse anúncio já é público. Foi feito. E quando nós anunciamos, é porque já temos, em princípio, a solução financeira equacionada”, garantiu.

Atualmente, Angola conta com pavilhões em menos de metade das suas 21 províncias. O ministro da Juventude e Desportos, presente no evento, poderá detalhar as localizações exatas. Lourenço adiantou ainda outras inaugurações: o estádio de futebol de 11 na província do Uíge, ainda este ano, e o do Huambo, no primeiro semestre de 2026. “O sector está de parabéns”, elogiou.

Apelo aos Atletas para os Jogos Paralímpicos de 2028

A Rede Girassol indagou sobre as expectativas para os atletas, especialmente nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028. O Presidente recordou os êxitos de Sayovo, treinando no Olímpia África, e incentivou:

“O que todos temos de pedir aos nossos atletas é que se esforcem ao máximo no sentido de trazerem as melhores medalhas. A ambição tem que ser no ouro”.

Comparando a performance desportiva a notas escolares, Lourenço motivou: “Quando um aluno é aluno de 18, o que nós temos que fazer é dizer-lhe: ‘você está proibido de tirar 12! Se você já conseguiu chegar aos 18, não pode, nas outras provas, nos outros exames, trazer a nota 12. Não! Você já chegou aos 18, então mantenha os 18 ou suba'”. Ele enfatizou que os sucessos em campeonatos africanos e mundiais provam que “afinal é possível”, e Angola não pode regredir.

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