O Tribunal de Comarca de Luanda (TCL) decretou, nesta quarta-feira, a prisão preventiva de dois cidadãos russos, Ígor Racthin, de 38 anos, e Lev Lakshtanov, de 64 anos, bem como do secretário nacional para mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, Oliveira Francisco, e do jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), Carlos Tomé. A decisão foi tomada pelo juiz de garantia, que aplicou a medida de coação mais gravosa aos acusados, com base em investigações conduzidas pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).
De acordo com o SIC, os quatro indivíduos enfrentam acusações de associação criminosa, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira, terrorismo e financiamento ao terrorismo. As autoridades alegam que os cidadãos russos estão ligados à organização Africa Politology, que teria como objetivo promover campanhas de desinformação, manipulação de meios de comunicação locais e interferência em processos políticos em Angola, com foco em ações subversivas.
As investigações revelaram que os acusados teriam distribuído elevadas quantias em kwanzas e moeda estrangeira a jornalistas, políticos, associações profissionais e produtores de conteúdos digitais para apoiar suas atividades. Segundo o SIC, a Africa Politology não se limita à disseminação de notícias falsas e propaganda digital, mas também financia manifestações encenadas, corrompe jornalistas locais e manipula narrativas públicas para atender a interesses estratégicos externos.
No âmbito do mesmo processo, o cidadão Caetano Agostinho Muhongo Capitão, de 58 anos, inicialmente detido, foi libertado sob termo de identidade e residência.
As autoridades reforçam que as investigações continuam para apurar a extensão das atividades da organização e identificar outros possíveis envolvidos. Este caso levanta preocupações sobre a integridade da informação e a segurança nacional, num contexto em que a manipulação da opinião pública tem impacto direto na estabilidade política e social do país.
Fonte: Novo Jornal
