A moeda nacional mantém-se praticamente inalterada há quatro meses, desde que atingiu a barreira dos 912,0 kwanzas por dólar. Desde o início de Dezembro do ano passado, o kwanza apreciou apenas 0,03% face à moeda norte-americana, passando de 912,3 Kz para os actuais 912,0 Kz, segundo cálculos do Expansão baseados nas taxas de câmbio do Banco Nacional de Angola (BNA).
Esta situação reacende dúvidas sobre possíveis intervenções do BNA no mercado cambial, sugerindo um retorno a um regime semelhante ao de câmbio fixo, considerado anormal num mercado livre.
Teoricamente, o valor da moeda nacional é determinado pela relação entre oferta e procura, mas na prática, as regras de mercado parecem não estar a ser aplicadas. Num cenário normal, quando a procura de dólares supera a oferta, o kwanza deprecia, e vice-versa.
A moeda nacional negociou acima dos 912,0 Kz nos dias 21 e 22 de Dezembro, chegando a atingir 918,0 Kz por dólar, antes de cair para 912,0 no dia seguinte. Desde então, o kwanza tem-se mantido estável, sem apreciação ou depreciação significativa.
Embora o governador do BNA tenha reiterado que o banco central não interfere no mercado, fontes do sector bancário afirmam o contrário, sugerindo que o supervisor bancário exerce pressão “invisível” sobre os bancos para evitarem ofertas consideradas “especulativas”, impedindo assim a depreciação da moeda nacional.
Em contraste, o câmbio do kwanza face ao euro apresentou variações no mesmo período. Desde o início do ano, a moeda nacional depreciou 4% face ao euro, passando de 942,7 Kz para 987,0 Kz (dados de 1 de Abril). Esta variação deve-se à volatilidade do euro face ao dólar nos mercados internacionais, uma vez que a taxa de câmbio em Angola é definida pela sua relação com o dólar.
Este cenário não é novo. A moeda nacional já esteve estagnada durante sete meses na barreira dos 820 Kz, entre Junho de 2023 e Fevereiro de 2024, após uma depreciação abrupta de 39% verificada em 2023. O período de desvalorização começou a 12 de Maio de 2023 e só abrandou a partir de 28 de Junho do mesmo ano, após um mês e meio considerado “infernal” para o país.
Assim, tal como aconteceu em 2023, após atingir mínimos históricos de 951,6 Kz por dólar em 1 de Outubro de 2024, o kwanza volta a estagnar. Expansão
