O Presidente do MPLA defendeu, segunda-feira, em Luanda, mais atenção aos Comité de Acção do Partido (CAP), dada a natureza do trabalho que realizam ao nível das comunidades em que se encontram.

Ao discursar no primeiro encontro nacional entre o líder do partido e os primeiros secretários da estrutura de base do MPLA, João Lourenço disse serem os CAP que asseguram, no dia-a-dia, o funcionamento do partido nas comunidades dos diferente dos órgãos superiores como o Comité Central e o Congresso, que se reúnem com uma periodicidade muito larga.

“Quando um edifício tem o telhado danificado ou uma parede rachada, em pouco tempo se reabilita, mas se as suas fundações e os seus alicerces não forem sólidos, com certeza que o edifício se desmorona”, alertou o líder do MPLA, para quem é fundamental que se cuide bem dessas fundações, numa analogia aos Comités de Acção do Partido.

João Lourenço, que viu o discurso interrompido várias vezes pelos aplausos que recebia dos mais de 2.500 militantes presentes na sala do Centro de Conferências de Belas, lembrou que os CAP constituem as bases do partido contra as tempestades criadas pelos adversários políticos, que disse não fazerem oposição, mas, sim, encorajar e fomentar a desordem e a organizar e a liderar a subversão no país. “Os nossos camaradas primeiros secretários dos CAP merecem todo o nosso respeito e consideração pelo trabalho que realizam”, destacou.

O Presidente do MPLA realçou o facto destes militantes não se preocuparem com o mediatismo que as câmaras fotográficas e a televisão proporcionam para realizar, “de forma incansável”, o seu trabalho.

No entanto, lamentou o facto de, nas ocasiões em que há necessidade do preenchimento de vagas nas direcções do partido, nos mais variados escalões, com realce para o Comité Central, eles serem preteridos a favor de outros militantes que, “com jogos de influência e amparados por alguns membros da direcção do partido, acabam por preencher, de forma desmerecida, as referidas vagas”.

Sobre este comportamento, o líder do MPLA exortou os militantes a denunciarem esta prática, de modo a corrigir o erro e promover, deste modo, mais lisura, honestidade e justiça nos processos de renovação de mandatos em todos os escalões da hierarquia do partido.

Num discurso virado para a valorização do trabalho realizado por esta estrutura de base, João Lourenço disse serem os CAP, os primeiros secretários e os militantes que ali militam que dão a conhecer, através da interacção permanente com os cidadãos, o projecto de construção da nação do MPLA.

Referiu serem, igualmente, eles que apresentam aos cidadãos o passado de lutas e de vitórias do MPLA, assim como o trabalho “árduo” para resolver os problemas económicos e sociais que ainda afectam os angolanos, com vista à garantia de um futuro “risonho de paz, prosperidade, liberdade e desenvolvimento”.

“São os camaradas que mobilizam os cidadãos para as fileiras do nosso partido, razão pela qual, nesta etapa crucial da vida do nosso partido e do país, decidi vir, pessoalmente, reunir com as bases, ouvi-las sobre os caminhos a seguir, para fortalecer, cada vez mais, o nosso partido e reforçar a nossa unidade em torno dos ideais do MPLA”, esclareceu João Lourenço.

Comités de Acção mais inseridos na sociedade

Não obstante aos desafios que os CAP enfrentam, o Presidente do partido exortou os líderes dessas estruturas a não baixarem a guarda e a estarem ainda mais inseridos na sociedade e nas comunidades, interagindo com os cidadãos sobre os problemas reais com os quais se confrontam, como a falta de habitação, água, energia, escola para os filhos, saúde e outros, sem olhar para a sua filiação partidária. “Mesmo ali onde o Executivo, os Governos provinciais e municipais ainda não os resolveram, não fujam ao diálogo. Sejam sinceros, abertos e transparentes, porque, às vezes, uma simples palavra pode confortar o cidadão necessitado”, realçou.

João Lourenço referiu que, apesar das dificuldades ainda existentes e dos problemas por resolver, é preciso dizer ao cidadão o quanto o Executivo tem feito em prol do progresso, do desenvolvimento económico e social do país, sobretudo da construção das várias infra-estruturas espalhadas pelo território nacional. Aqui, o presidente do MPLA destacou, entre outras, as escolas e outros estabelecimentos de ensino, hospitais de diferentes níveis de atendimento, projectos de água e energia, de habitação, redes viárias já feitas ou em reabilitação, os portos e aeroportos a serem construídos ou reabilitados, as refinarias de petróleo a serem construídas, para aumentar a oferta de produtos refinados como o diesel e a gasolina, assim como os grandes projectos de combate aos efeitos da seca no Sul do país.

João Lourenço felicita 1ºˢ secretários eleitos 

O Presidente do MPLA felicitou, no momento, os primeiros secretários dos Comités de Acção do Partido eleitos durante o processo das assembleias de balanço e de renovação de mandatos, realizado, em todo o país, de Maio a Agosto deste ano. “Através de vós, estendo as felicitações aos militantes de todo o país, pela forma disciplinada e comprometida como se engajaram neste processo.

Continuar a trabalhar para o desenvolvimento de Angola

O Presidente do MPLA reiterou, na ocasião, que o partido que lidera vai continuar a trabalhar para o desenvolvimento e progresso social de Angola. Este desenvolvimento, disse, vai passar pela aposta contínua nas mulheres e nos jovens, tendo em conta a prova de competência que continuam a dar quando desafiados.

João Lourenço lembrou que todas as conquistas alcançadas, até aqui, em todos os domínios da vida nacional, tiveram, sempre, a mão, a participação e o forte engajamento dos jovens e da mulher. Por este motivo, reforçou que o MPLA vai continuar a apostar na promoção dos mesmos, tanto no seio do partido, quanto nas instituições do Estado. “Poucos países valorizam tanto o papel que o jovem e a mulher desempenham na sociedade, ocupando os mais altos cargos da hierarquia do partido e do Estado, como nós o fazemos”, ressaltou o líder do MPLA, sublinhando que o leque de funções ocupadas por estes dois segmentos da sociedade angolana é grande.

“Vai desde administradoras municipais, governadoras cujo número acaba de crescer, presidentes dos Conselhos de Administração de grandes empresas, reitoras de instituições do ensino superior, ministras, venerandas juízas conselheiras de tribunais, presidente da Assembleia Nacional, vice-presidente do partido e Vice-Presidente da República”, exemplificou  João Lourenço, frisando que as mulheres angolanas vêm ganhando, de forma visível e merecida, o seu espaço de influência e participação na sociedade.

Aposta nos jovens

Referindo-se, de forma objectiva, aos jovens, o líder dos camaradas fez saber que estes já deram, também, provas de grande competência para importantes funções no aparelho do partido e do Estado. João Lourenço lembrou que a aposta do MPLA nos jovens não vem de agora, tendo, a título de exemplo, citado o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, indicado pelo partido para assumir os destinos do país quando tinha apenas 37 anos, depois da morte do fundador da Nação, o Presidente António Agostinho Neto, a 10 de Setembro de 1979, em Moscovo, na altura capital da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

“Vamos, por isso, continuar a apostar nos nossos jovens, prepará-los e dar-lhes todas as oportunidades de ascenderem até onde as suas capacidades permitirem, inclusive para a assumpção do mais alto posto de Presidente da República”, declarou. João Lourenço disse que o MPLA soube, sempre, desde a sua existência como força política, fazer as leituras correctas das diferentes etapas da luta e do tempo, fortalecendo a organização e o funcionamento das suas estruturas.

A ideia, esclareceu, é torná-lo cada vez mais moderno, dinâmico e actuante, visando a melhor inserção do partido na sociedade e estar, sempre, em melhores condições de liderar as principais transformações políticas, económicas e sociais no país. Referiu ser esta a razão da necessidade permanente de renovação do partido, para reforçar, cada vez mais, as suas bases, que foram realizadas as assembleias de balanço e renovação de mandatos dos Comités de Acção em todo o país. “O MPLA é um grande edifício, o maior edifício político-partidário que Angola conhece desde os anos cinquenta”, atestou.

No quadro dessas iniciativas, o líder do MPLA recordou que o partido vai realizar, ainda este ano, o Congresso Ordinário da JMPLA (o seu braço juvenil) e o Congresso Extraordinário do partido, que, como avançou, não terá renovação de mandatos.

“Vemos um futuro risonho para o nosso país”

O líder do MPLA disse vislumbrar um futuro risonho para Angola, com as reformas em curso no país, como o combate à corrupção, a criação de um melhor ambiente de negócios, a diversificação da economia, o sucesso do programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a maior abertura ao mundo.

Para a conquista deste desiderato, o Presidente João Lourenço apelou para a necessidade de se manter a unidade e coesão interna do partido e combater toda e qualquer tentativa de divisão. “Porque só unidos somos fortes e em condições de cumprirmos o nosso papel histórico”, declarou João Lourenço, para, de seguida, reforçar: “todos somos poucos para a grande empreitada que ainda temos pela frente, a de fazer de Angola um grande país, com uma economia forte e resiliente”.

A ocasião serviu para o líder dos camaradas lembrar aos militantes que o país vai comemorar, no próximo ano, o 50º aniversário da Independência Nacional. João Lourenço adiantou que o momento será de comemorações, mas, também, de reflexão sobre os caminhos trilhados pelo país nestes 50 anos. “Onde Angola estaria hoje? Que nível de desenvolvimento económico e social teria, hoje, se não tivéssemos sido vítimas da Guerra Fria? Com certeza que estaríamos bem longe, bem melhor”, afirmou o Presidente do MPLA. Jornal de Angola

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *