A manifestação pacífica organizada este sábado por organizações da sociedade civil em Luanda, contra o aumento das tarifas dos transportes públicos colectivos, terminou com repressão policial, resultando num ferido e num caso de desmaio. A marcha, que teve início no Mercado de São Paulo, na Avenida Cônego Manuel das Neves, pretendia chegar ao Largo da Maianga, onde os manifestantes planeavam ler um manifesto contra a subida do preço dos táxis de 200 para 300 kwanzas, motivada pelo recente aumento do preço do gasóleo.
A marcha, que decorria de forma ordeira, foi interrompida por um forte contingente da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), que bloqueou o trajecto próximo ao Largo da Independência. Inicialmente, as autoridades haviam autorizado o Largo das Escolas como destino final, mas tentaram redireccionar os manifestantes para o Largo ‘Sweto’. A resistência dos manifestantes em alterar o percurso levou a uma escalada da tensão.
Após mais de uma hora sem confrontos, a PIR posicionou-se nas principais entradas e saídas do local e avançou com a dispersão da multidão. Foram utilizados jactos de água quente e gás lacrimogéneo, que afectaram manifestantes e jornalistas que cobriam o evento. Um dos participantes foi atingido no rosto por uma bomba de gás lacrimogéneo, sofrendo ferimentos, enquanto outra pessoa desmaiou durante a confusão.
De acordo com fontes no local, algumas pessoas foram detidas, com a polícia a justificar as detenções como resposta à resistência às ordens das autoridades. Após a dispersão, as vias interditas, como a Avenida Cônego Manuel das Neves, foram reabertas à circulação automóvel.
Protestos continuam na próxima semana
Os organizadores da manifestação anunciaram que os protestos contra o aumento das tarifas dos transportes continuarão no próximo sábado, 19 de Julho, em seis províncias do país. Em Luanda, os manifestantes planeiam marchar até ao Ministério das Finanças, reforçando a exigência de revisão das tarifas, que têm impacto directo na vida da população, especialmente nas camadas mais vulneráveis.
O aumento das tarifas dos transportes públicos colectivos urbanos foi implementado na sequência do ajuste do preço do gasóleo, uma medida que tem gerado descontentamento generalizado. A sociedade civil apela ao diálogo com as autoridades para encontrar soluções que minimizem o impacto económico sobre os cidadãos.
Fonte: NJ & VE
