O antigo presidente do conselho de administração da Sonangol e ex-vice-Presidente da República, Manuel Vicente, prestou esclarecimentos à Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) sobre a aquisição de 22 edifícios na urbanização Vida Pacífica, no Zango 0, actual província de Icolo e Bengo, pela Sonangol. A compra, realizada junto à empresa China International Fund (CIF), destinava-se a alojar funcionários da petrolífera estatal, mas está no centro de um mediático processo judicial envolvendo figuras de destaque.

Em declarações feitas em Agosto e Novembro de 2020, lidas em tribunal esta terça-feira devido à ausência de Manuel Vicente no país, o ex-responsável afirmou desconhecer qualquer ligação entre os edifícios adquiridos e os que, segundo o Ministério Público (MP), terão sido financiados pela própria Sonangol para a construção do Zango 0. Vicente negou também que os generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, conhecido como “Kopelipa”, e Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido como “Dino”, sejam sócios da CIF-Angola, empresa apontada como responsável pela venda dos imóveis.

De acordo com Manuel Vicente, a aquisição dos 22 edifícios foi autorizada por si, enquanto presidente da Sonangol, através da SONIP, uma empresa do grupo petrolífero, com o objectivo de garantir habitação para os trabalhadores. Contudo, o ex-vice-Presidente afirmou desconhecer qualquer contrato entre o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) e a CIF para a construção desses edifícios, cujo financiamento, segundo o MP, foi assegurado pela Sonangol, que posteriormente os adquiriu.

Vicente esclareceu ainda que Leopoldino Fragoso do Nascimento foi chamado para auxiliar na reestruturação da CIF em Angola, por orientação do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Além de “Kopelipa” e “Dino”, o julgamento envolve os empresários Yiu Haiming, Fernando Gomes e as empresas Plansmart International Limited, Utter Right International Limited e a própria CIF, acusados de crimes como peculato, burla por defraudação, falsificação de documentos, associação criminosa e abuso de poder.

No âmbito deste processo, os juízes realizaram, esta quarta-feira, uma visita à urbanização Vida Pacífica para avaliar os edifícios em questão. Segundo fontes, muitos dos imóveis já estão habitados ou foram vendidos. O julgamento prossegue na próxima semana, com a audição de cinco declarantes arrolados no processo.

Fonte: Novo Jornal

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