O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) não promoverá ajustamentos aos seus estatutos nem ao programa partidário no IX Congresso Ordinário, agendado para 09 e 10 de Dezembro, em Luanda. A decisão, anunciada pela vice-presidente Mara Quiosa durante a apresentação pública da convocatória no sábado (21), ocorre num momento estratégico de preparação para as eleições de 2027, quando o actual Presidente da República, João Lourenço, atingirá o limite constitucional de mandatos.
A dirigente explicou que o Comité Central optou por preservar a redacção estatutária aprovada no VIII Congresso Extraordinário de 2024 – que alterou o artigo 12.º sobre a designação dos candidatos a Presidente e vice-Presidente da República – considerando-a adequada à actual fase política do país. Na prática, a escolha do cabeça de lista para as presidenciais continuará a ser feita por proposta do Bureau Político e eleição pelo Comité Central, rompendo com o automatismo anterior que vinculava o cargo de presidente do partido ao candidato presidencial.
Num sinal de renovação interna, o órgão máximo deliberativo passará a integrar 593 membros, menos 14,5% face à composição actual. A vice-presidente garantiu, contudo, que esta redução não afectará os órgãos intermédios e de base, reforçando que se manterá o equilíbrio estatutário entre continuidade (55%) e renovação (45%). Destaque ainda para a fixação da representação feminina em 50% nos órgãos colegiais nacionais e intermédios, consolidando a aposta na igualdade de género nas estruturas partidárias.
Sob o lema “MPLA Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”, o congresso reunirá cerca de três mil delegados de todo o território nacional e da diáspora para aprovar o relatório do mandato 2021-2026, eleger a nova direcção partidária e definir a estratégia para as próximas eleições gerais. Na segunda semana de Abril, o partido realizará a IV Reunião Metodológica Nacional para esclarecer as estruturas de base sobre os documentos reitores do evento.
Mara Quiosa deixou uma mensagem de unidade estratégica aos militantes: “Unidade não é uniformidade, mas coesão em torno de um projecto comum”. A dirigente vincou que o MPLA deve apresentar-se como “corpo político coeso, maduro e orientado para a vitória”, reafirmando o compromisso do partido em liderar as transformações políticas, económicas e sociais em curso em Angola.
Fonte: DW África
