Oito instituições financeiras, entre as quais sete consideradas de importância sistémica, iniciam um processo de reestruturação nos seus órgãos sociais, marcando o fim de ciclos e abrindo caminho para novas lideranças. A movimentação, que envolve Conselhos de Administração, Comissões Executivas e Assembleias-Gerais, ocorre em conformidade com os estatutos internos de governação e está alinhada ao calendário anual de renovações.
Entre os bancos em destaque estão o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Banco de Fomento Angola (BFA), dois dos principais atores do sistema financeiro nacional, cujas decisões geram grande expectativa no mercado. Mas também se registam mudanças significativas no Banco Keve, Banco de Poupança e Crédito (BPC), Banco de Negócios Internacional (BNI), além de ajustes pontuais no BCI, Standard Bank Angola e Banco BIR.
BAI: Lélis pode deixar presidência após dois mandatos
No BAI, a reunião da Assembleia-Geral está marcada para 25 de Abril, altura em que será decidida a nova composição dos órgãos sociais. Luís Filipe Rodrigues Lélis, presidente da Comissão Executiva desde 2020, cumpriu dois mandatos consecutivos, o que torna improvável a sua continuidade. Contudo, o desempenho histórico do banco em 2025 o melhor resultado da banca comercial angolana até à data poderá influenciar a decisão dos accionistas.
A reconfiguração deverá afectar tanto membros executivos como não executivos, numa renovação ampla que visa renovar a governança sem comprometer a estabilidade operacional.
BFA: Gonçalves mantém-se à frente com apoio dos accionistas
Já no BFA, a liderança de Luís Roberto Fernandes Gonçalves parece consolidada. Banqueiro com mais de 30 anos de carreira no mesmo grupo, assumiu a presidência executiva em Julho de 2020 e tem sido apontado como figura-chave na modernização da instituição. Após a venda de 29,75% do capital na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), os accionistas estudam uma reestruturação profunda em todos os órgãos de gestão, embora a continuidade de Gonçalves seja dada como certa.
Keve e BCI: Grupo Carrinho redefine estratégia com novas nomeações
No Banco Keve, controlado pelo Grupo Carrinho, uma Assembleia-Geral Extraordinária realizada no dia 20 de Janeiro, nas Garden Towers (12.º andar da Torre B), resultou na renovação da confiança em Bruno da Silva Grilo, mantendo-o na liderança. Foram, contudo, feitas alterações na equipa directiva, sujeitas agora à aprovação do Banco Nacional de Angola (BNA).
No BCI, igualmente detido integralmente pelo Grupo Carrinho, as mudanças são descritas como uma “dança de cadeiras”, com gestores a transitarem entre as várias instituições onde o grupo tem participação. Apesar de superficiais, estas trocas reflectem uma estratégia de rotação interna e fortalecimento da governança partilhada.
BPC: Estado decide novo rumo após ciclo 2022–2026
No Banco de Poupança e Crédito (BPC), cujo accionista único é o Estado angolano — representado pelo Ministério das Finanças, IGAPE, INSS e ISSFAA, encerra-se formalmente o ciclo de gestão 2022–2026. A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, detém agora a palavra final sobre a manutenção ou substituição do actual Conselho de Administração.
O BPC, com forte presença no sector público e massificação bancária, enfrenta pressões por maior eficiência e transparência, o que pode impulsionar mudanças mais profundas do que as inicialmente previstas.
Standard Bank e BNI: IPO e nova propriedade ditam rumos
No Standard Bank Angola, Luís Fialho Miguel Teles continua à frente da Comissão Executiva desde finais de 2018. Embora tenha havido entradas e saídas pontuais de administradores, fontes próximas ao banco indicam que a sua permanência está ligada à conclusão da Oferta Pública Inicial (IPO), um passo estratégico já em fase avançada.
Já no BNI, a aquisição de 70% do capital pela Kassai Capital, concretizada no final de 2025, vai provocar uma transformação profunda na governança. O banco, fundado por Mário Abílio Palhares e José Teodoro Garcia Boyol, entra numa nova era, com nova equipa directiva a ser anunciada nas próximas semanas.
Banco BIR: Lígia Madaleno mantém controlo, mas há mexidas em curso
No Banco BIR, o único entre os oito com dimensão considerada pequena, a banqueira Lígia Madaleno, detentora de 56,40% do capital, mantém-se como figura central. No entanto, fontes confirmam que está em curso uma reestruturação no 7.º andar do Edifício Bengo, no Belas Business Park, com possíveis alterações no Conselho Fiscal e na direcção de áreas estratégicas.
Fonte: O Telegrama
