O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu, está quinta-feira, no Palácio de Belém, em Lisboa, a coragem e heroísmo dos capitães de Abril que lutaram contra a ditadura de Salazar, para a instauração da democracia portuguesa e independência das colónias africanas.

Discursando na cerimónia alusiva aos 50 anos da revolução de 25 de Abril, o Chefe de Estado, o primeiro a intervir no evento, disse que estes capitães  enfrentaram  a máquina opressora do regime, a PIDE/DGS e seus apêndices, que não se coibiam de torturar e matar os melhores filhos desta terra.

Como resultado, João Lourenço destacou que a  Revolução de Abril resgatou os direitos cívicos e políticos que estiveram proíbidos e anulados pela ditadura por quase meio século.

“Ela quebrou o isolamento internacional de Portugal perante a comunidade internacional e possibilitou a implementação de um Estado Democrático de Direito onde os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos portugueses estão hoje constitucionalmente assegurados”, asseverou.

Lembrou que, enquanto o povo português lutava contra o fascismo e a ditadura salazarista desde 1932, os povos africanos colonizados por Portugal lutavam, desde o século XV, contra a colonização portuguesa e suas consequências, como a escravatura e a pilhagem das suas riquezas.

“Lutámos pelo fim dos abusos, dos crimes e da violação dos direitos humanos cometidos pelo regime colonialista contra nossos povos durante séculos”, frisou.

Durante o seu discurso, o Presidente de Angola valorizou a luta das colonias pela dignidade, enquanto seres humanos, que devem ter o mesmo direito à liberdade e o direito  de ser os senhores do seu próprio destino.

Fazendo alusão à história, o estadista referiu que as lutas armadas pela  independência na Guiné Bissau, em Angola e em Moçambique, atingiram um estádio de tal modo avançado, sobretudo após o fracasso da operação Mar Verde, o assassinato de Amílcar Cabral e a proclamação da independência pelo PAIGC nas colinas de Madina de Boé em 1973, na Guiné Bissau.

Fez igualmente referência ao fiasco da operação Nó Górdio e as pesadas baixas infringidas pela FRELIMO e pelo MPLA às tropas coloniais portuguesas em Moçambique e no Norte e Leste de Angola, que fizeram precipitar os acontecimentos que levaram ao levantamento e golpe militar do 25 de Abril de 1974 em Portugal.

“A nossa causa era a mesma que a do povo português e, por isso, juntos lutámos e juntos vencemos o mesmo inimigo, o colonialismo e a ditadura fascista de Salazar e Caetano”, sublinhou.

Destacou os laços  fraternais de amizade entre os  respectivos povos, ao mesmo tempo que estabeleceram uma profícua e mutuamente vantajosa cooperação económica.

De acordo com o estadista, a luta de libertação nas então colónias portuguesas em África fez aumentar nos portugueses o sentimento e a consciência da necessidade da queda do regime que era ditador e fascista, mas ao mesmo tempo colonialista.

Nesta perspectiva, disse que o desafio de hoje é o da consolidação da democracia, da diversificação e fortalecimento das economias, do aumento da oferta de bens e serviços, do aumento das exportações e do aumento da oferta de postos de trabalho para a redução do desemprego. Angop

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