O preço do gás natural na Europa registou hoje (19 de Março) uma subida abrupta de 35% na abertura dos mercados, impulsionado por ataques a infraestruturas energéticas estratégicas no Médio Oriente, nomeadamente no Qatar e no Kuwait. A escalada das tensões na região já repercute nos mercados internacionais e desperta atenção em países dependentes de importações energéticas, como Angola, que acompanha de perto os desdobramentos para antecipar eventuais pressões sobre os custos de energia no mercado interno.
Pouco depois das 07:00 (hora da Europa Central), o contrato de referência holandês TTF – principal indicador do mercado europeu – avançou 28,06%, fixando-se nos 70 euros por megawatt-hora, após ter atingido picos de 35% no arranque das negociações. A volatilidade foi desencadeada após a empresa estatal qatariana de energia reportar “danos consideráveis” no complexo de Ras Laffan, a maior instalação mundial de produção de gás natural liquefeito (GNL), alvo de ataques com mísseis nas primeiras horas do dia.
Em comunicado, as autoridades de Doha esclareceram que os incêndios provocados pelos ataques foram controlados, sem registo de feridos, e que as operações de segurança e arrefecimento prosseguem normalmente. Contudo, a incerteza quanto à capacidade produtiva do complexo alimenta receios de estrangulamento no fornecimento global de GNL – recurso do qual Angola, apesar das suas reservas próprias, depende parcialmente para equilibrar a matriz energética nacional e garantir estabilidade nos preços ao consumidor.
Paralelamente, uma das maiores refinarias do Kuwait foi atingida por drones, provocando incêndios numa das suas unidades, segundo fontes oficiais kuwaitianas. O petróleo também reagiu ao clima de instabilidade: o Brent para entrega em Maio subiu 4,75%, negociando nos 112,97 dólares por barril às 06:00 (hora de Lisboa), enquanto o West Texas Intermediate avançou 1,28%, para 96,54 dólares.
Fonte: Agência Lusa-Jornal Económico
