O Presidente em Exercício da União Africana (UA), na abertura da 7ª Reunião Semestral de Coordenação com as Comunidades Económicas Regionais e Mecanismos Regionais, realizada em Malabo, Guiné Equatorial, destacou a integração regional como um pilar essencial para concretizar as ambições da Agenda 2063, intitulada “A África que Queremos”. O evento, que terminou na tarde de domingo, reuniu Chefes de Estado e de Governo, bem como representantes das comunidades económicas regionais, para avaliar os progressos na integração continental.

No seu discurso, o estadista angolano sublinhou que “a integração regional em África é mais do que um ideal político, económico e social, sendo sobretudo um dos vectores essenciais para transformarmos as grandes ambições da Agenda 2063 em progressos concretos e uma necessidade profundamente estratégica para o continente africano”. Ele destacou a importância de coordenar esforços entre a UA e as comunidades económicas regionais, consideradas os pilares da arquitectura africana, para harmonizar políticas continentais e dinâmicas nacionais.

Zona de Comércio Livre Continental Africana como motor de desenvolvimento

Um dos pontos centrais do discurso foi a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), descrita como um marco histórico por criar o maior acordo comercial do mundo em número de países participantes, abrangendo mais de 1,3 mil milhões de consumidores. A ZCLCA é vista como uma alavanca para o crescimento económico, a redução da pobreza e a promoção da equidade social, através do aumento do comércio intra-africano e da industrialização. “Os sinais positivos observados nas fases iniciais da implementação da ZCLCA impulsionam-nos a dar sequência aos esforços colectivos”, afirmou o Presidente.

Infra-estruturas e paz como prioridades

O líder angolano enfatizou a necessidade de investimentos em infra-estruturas modernas, como energia acessível, estradas, caminhos-de-ferro, portos, aeroportos e redes digitais de qualidade, para facilitar a circulação de bens e serviços, reduzir custos logísticos e atrair investimento estrangeiro. Nesse sentido, anunciou uma conferência sobre o financiamento de infra-estruturas em África, a realizar-se em Luanda, de 28 a 31 de Outubro de 2025, no âmbito do Programa para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África (PIDA).

Além disso, a UA, em coordenação com Angola, planeia uma conferência em Nova Iorque, em Setembro, à margem da 80ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, para abordar os conflitos em África, com foco na promoção da paz como condição indispensável para o desenvolvimento sustentável.

Desafios e apelo à unidade

Apesar dos avanços, o Presidente reconheceu desafios como a baixa industrialização, a fraca diversificação económica e a insuficiente harmonização de políticas comerciais, fiscais, sanitárias e alfandegárias, que podem gerar tensões políticas e instabilidade. Ele apelou à participação activa de jovens, sociedade civil, empresas e académicos no processo de integração, para garantir mais empregos, acesso a mercados e resiliência frente a choques externos.

O estadista destacou ainda a relevância do Mecanismo Tripartido (SADC, COMESA e EAC), que representa 53% dos Estados-membros da UA e mais de 60% do PIB continental, como exemplo de integração para o desenvolvimento económico e infra-estrutural.

Agradecimentos e perspectivas futuras

O Presidente expressou gratidão ao Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, e ao povo guineense pela hospitalidade em Malabo. Ele reforçou a necessidade de uma posição comum para enfrentar desafios globais, especialmente na Cimeira União Europeia-África, prevista para Novembro, em Luanda. “Num mundo multipolar e competitivo, África não pode continuar a falar com vozes dispersas”, declarou, apelando a uma vontade política reforçada e a resultados tangíveis para os cidadãos africanos.

A 7ª Reunião Semestral de Coordenação foi considerada uma oportunidade para avaliar progressos, identificar bloqueios e definir roteiros para acelerar a integração regional, aproximando o continente da visão de paz, prosperidade e unidade.

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