O Ministério da Saúde (MINSA) anunciou esta terça-feira, 7 de Abril, as inscrições para um concurso público com 2.963 vagas, número inferior a metade das 6.000 oportunidades prometidas no início do ano pelo Executivo. A redução abrupta, justificada por constrangimentos orçamentais, gera perplexidade entre profissionais e candidatos que aguardavam o reforço do quadro clínico nacional.
Segundo fontes do Novo Jornal junto ao MINSA, o Governo encontrou “tesouraria apenas para cobrir este limite”, apesar de, em 2025, ter assegurado que o Orçamento Geral do Estado para 2026 (OGE/2026) garantia recursos para as seis mil contratações. A discrepância entre a promessa e a realidade operacional coloca em xeque a capacidade do sector para responder à escassez crónica de pessoal de saúde, especialmente em zonas rurais e municípios de difícil acesso.
O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) manifestou “lamentação” pela redução drástica. “Ficámos surpreendidos pela negativa”, afirmou ao Novo Jornal o seu presidente, Adriano Manuel. “Este número pouco vai melhorar o sector. Os problemas vão continuar. Era preferível manter as 6.000 vagas ou até aumentá-las para robustecer verdadeiramente a rede sanitária nacional.”
A distribuição das vagas privilegia províncias com défice histórico de quadros: Zaire (439), Huambo (433), Uíge, Cabinda e Cuanza Norte (todas com mais de 300 oportunidades). O MINSA esclarece que municípios já beneficiados em concursos anteriores não foram contemplados nesta fase, mas os seus candidatos podem concorrer noutras localidades.
As inscrições decorrem online, através da plataforma electrónica do MINSA, durante 15 dias úteis. Contudo, o Executivo ainda não divulgou a data exacta de abertura do processo — informação essencial para milhares de jovens formados que aguardam há meses esta oportunidade de integração na função pública.
Fonte: Novo Jornal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *