As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Angola, geridas pelo Banco Nacional de Angola (BNA), registaram uma redução de 114 milhões de dólares entre Dezembro de 2024 e Junho de 2025, passando de 15.767 milhões para 15.653 milhões de dólares, segundo cálculos do Expansão com base nos dados divulgados pelo banco central. Apesar desta descida, as reservas garantem actualmente cerca de oito meses de importações de bens e serviços, um valor superior à média dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que se situa nos quatro meses.

A diminuição verificada no primeiro semestre deve-se, em grande parte, aos empréstimos concedidos pelo BNA ao Governo angolano. Estes financiamentos fazem parte de um montante mais amplo previsto na Lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2025, que autoriza o banco central a emprestar até 2.000 milhões de dólares ao Tesouro Nacional, com os recursos a serem retirados das reservas internacionais.

Impacto das Importações e Contexto Histórico

Nos primeiros três meses de 2025, Angola gastou 3.807 milhões de dólares em importações de mercadorias e 2.075 milhões em serviços, o que representa uma média mensal de 1.961 milhões de dólares. Com as reservas actuais, o país tem capacidade para suportar cerca de oito meses de importações, um indicador positivo face à média regional. Contudo, o volume de reservas é significativamente inferior ao registado no período pré-Covid-19, quando totalizavam 17.211 milhões de dólares em 2019. Em comparação, o valor mais baixo foi registado em Janeiro de 2022, com 13.350 milhões de dólares, enquanto o pico histórico ocorreu em Setembro de 2013, alcançando 35.188 milhões de dólares.

Naquele ano de 2013, Angola importou um total de 49.393 milhões de dólares em bens e serviços, reflectindo uma dependência elevada de divisas para suportar as suas necessidades externas. Desde então, as reservas internacionais têm enfrentado desafios, com uma tendência de redução iniciada em 2014, agravada por factores como a queda dos preços do petróleo e a crise económica global.

O Papel das Reservas Internacionais

As Reservas Internacionais são compostas por activos financeiros, como dólares, euros, ouro e outras moedas, além de títulos de dívida soberana de outros países. Estes recursos são essenciais para cumprir obrigações internacionais, como o pagamento de dívidas externas, impostos estrangeiros e outras despesas em moeda estrangeira. Além disso, desempenham um papel crucial na manutenção da estabilidade económica, reforçando a confiança dos investidores internacionais e a capacidade do país de responder a crises ou choques económicos.

Desafios e Perspectivas

A redução das reservas internacionais, embora moderada, levanta questões sobre a sustentabilidade financeira de Angola, especialmente num contexto em que o país continua a depender fortemente de empréstimos para financiar o OGE. Especialistas alertam que a gestão prudente destas reservas é fundamental para garantir a estabilidade macroeconómica e evitar vulnerabilidades face a choques externos, como flutuações nos preços do petróleo ou crises globais.

O BNA tem reforçado a importância de políticas monetárias que promovam a diversificação económica e a redução da dependência de importações, como forma de aliviar a pressão sobre as reservas. Para o futuro, será crucial acompanhar a evolução destes indicadores e as medidas adoptadas pelo Governo e pelo banco central para equilibrar as finanças públicas e fortalecer a economia angolana.

Fontes: Jornal Expansão 

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