A empresa chinesa Rushan Shuguang Cerveja Angola tornou-se accionista da Zantul Africement — sociedade que gere os activos da antiga CIF Ciment e CIF Logística — após a aquisição de 17% do capital social da Mercons, uma das empresas do consórcio proprietário. A operação, aprovada em assembleia extraordinária realizada em Janeiro último, ocorre num momento em que o grupo ainda não liquidou a dívida de 180 mil milhões de kwanzas contraída com o Estado angolano pela compra dos dois activos.
Segundo apurou o Valor Económico, a entrada da firma chinesa na estrutura accionista da Zantul Africement foi formalizada através da aquisição de uma quota avaliada em 102 milhões de kwanzas. O acto consta em acta assinada na presença da presidente do Conselho de Administração da Mercons, Marinela de Sousa. Contudo, mais de dois meses depois da transacção, o contrato ainda não foi averbado junto dos serviços competentes, mantendo em suspenso o registo oficial do novo sócio.
Interessante notar que a Rushan Shuguang Cerveja Angola já se fez notar no mercado nacional ao arrematar, em leilão, a fábrica de cerveja CIF Lowenda. A aproximação da empresa ao sector industrial angolano ganha, assim, contornos estratégicos.
Apesar da documentação assinada, Krissne Dambi, director do consórcio que gere os activos, negou ao Valor Económico a entrada de qualquer nova empresa na gestão da antiga CIF Ciment e CIF Logística — posição que contrasta com os registos oficiais da assembleia da Mercons.

Dívida ao Estado em compasso de espera

O consórcio, agora composto pela Griner, Mercons e a recém-chegada Rushan Shuguang Cerveja Angola, encontra-se em incumprimento contratual face ao Estado. O acordo previa o pagamento da primeira prestação — 27 mil milhões de kwanzas — 45 dias após a assinatura do contrato, ocorrida em finais de Junho de 2025. Até à data, nenhuma parcela foi transferida para o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (Igape).
Em declarações ao Valor Económico, Krissne Dambi garantiu, contudo, que o montante será liquidado “dentro de 15 dias”, sem adiantar garantias concretas sobre a fonte de financiamento.

Produção retomada com limitações

Enquanto a situação financeira se arrasta, a CIF Ciment já regressou ao mercado com a sua marca histórica. A unidade fabril, localizada no município do Cacuaco, opera actualmente em regime de moagem e embalagem, adquirindo clínquer a concorrentes como a Nova Cimangola e a F.C.K.S., já que os seus fornos permanecem inactivos.
A produção é ainda residual — cerca de 18 toneladas mensais — e destina-se essencialmente a pequenos revendedores das zonas adjacentes à fábrica, nomeadamente Zango, KM 30, Sequele e Cacuaco. Segundo Dambi, a recuperação dos fornos está em curso, com previsão de entrada em funcionamento do primeiro equipamento em Outubro de 2026. O segundo forno, além de consolidar a produção nacional, terá como meta o abastecimento do mercado de exportação.
O custo estimado para a reabilitação total ascende agora a 30 milhões de dólares — dez milhões acima do valor inicialmente projectado na avaliação do activo. Um sinal de que a recuperação da antiga unidade emblemática da indústria cimenteira nacional exigirá não só capital, mas também paciência por parte do sector e dos consumidores.
Fonte: Valor Económico

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