Seif al-Islam Kadhafi, antigo dirigente político e filho do ex-líder líbio Muammar Kadhafi, foi morto esta terça-feira (3) dentro da sua residência em Zintan, cidade localizada a cerca de 136 quilómetros a sudoeste de Trípoli. O assassinato terá sido levado a cabo por quatro homens armados que invadiram a casa após desativarem o sistema de vigilância, segundo confirmaram fontes próximas ao caso.
A informação foi avançada por Marcel Ceccaldi, advogado francês de Seif al-Islam, que disse à agência AFP não saber ainda a identidade ou motivações dos autores do crime. “Tínhamos alertas sobre riscos à segurança dele há cerca de dez dias”, revelou Ceccaldi, citando um colaborador próximo da vítima.
Dois responsáveis ligados aos serviços de segurança no oeste da Líbia, falando sob condição de anonimato junto à Associated Press, confirmaram a morte. A notícia também foi divulgada nas redes sociais por Khaled al-Zaidi, outro dos seus advogados, e por Abdullah Othman Abdurrahim, que o representou em diálogos políticos mediados pelas Nações Unidas.
Abdurrahim detalhou que os atacantes “penetraram na residência, neutralizaram as câmaras e executaram-no sumariamente”.

Trajectória marcada por poder, prisão e tentativa de regresso

Nascido em junho de 1972 em Trípoli, Seif al-Islam era o segundo filho de Muammar Kadhafi e chegou a ser considerado o possível sucessor do regime que governou a Líbia por mais de quatro décadas. Formado com doutoramento pela London School of Economics, apresentava-se como uma figura modernizadora, embora sempre vinculada ao aparelho do Estado autoritário do pai.
Durante a revolta popular de 2011, que culminou na queda e morte de Muammar Kadhafi, Seif al-Islam assumiu posição pública de defesa do regime, discursando contra os manifestantes. Após a derrota das forças kadhafistas, foi capturado em novembro de 2011 enquanto tentava fugir para o Níger.
Permaneceu detido em Zintan até junho de 2017, quando foi libertado por um dos governos rivais então existentes no país, no âmbito de uma amnistia controversa. Em 2015, um tribunal líbio já o tinha condenado à morte à revelia por incitação à violência e assassinato de manifestantes.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) também o acusava de crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão da insurreição de 2011, mantendo contra ele um mandato de captura.

Candidatura presidencial bloqueada e instabilidade persistente

Em novembro de 2021, Seif al-Islam surpreendeu ao anunciar candidatura às eleições presidenciais na Líbia, gerando forte contestação entre forças políticas e militares anti-Kadhafi, especialmente nas regiões ocidental e oriental do país. O Alto Comité Nacional de Eleições acabou por desqualificá-lo, e o pleito não chegou a concretizar-se devido a impasses entre as administrações rivais e o domínio de milícias armadas.
A Líbia permanece até hoje fragmentada, sem um governo unificado estável, com o território dividido entre facções políticas e grupos armados que controlam diferentes zonas do país.
Fonte: Lusa

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