O Standard Bank de Angola (SBA) consolidou-se como pioneiro no financiamento sustentável no sector privado ao alocar 2,45 mil milhões de kwanzas para a aquisição e instalação de 24 torres de telecomunicações pela ANTOSC, a primeira Tower Company de Angola, pertencente ao Grupo Anglobal. O projecto, que abrangerá 13 províncias, marca um marco na integração de práticas ambientais e económicas sustentáveis no tecido empresarial nacional.
Trata-se do primeiro financiamento com componente de sustentabilidade concedido pelo SBA a uma empresa privada, reforçando o compromisso do banco com o desenvolvimento inclusivo e responsável. Até agora, o SBA já tinha canalizado cerca de 100 mil milhões de kwanzas em projectos sustentáveis com entidades públicas. Este novo passo amplia a sua agenda de impacto social e ambiental para além do sector estatal.
Durante um evento solene na sede do banco, em Luanda, Luís Teles, CEO do Standard Bank de Angola, destacou que a sustentabilidade “não é apenas uma palavra, mas a nossa cultura”.
“Não medimos o nosso impacto pelo número de doações, mas pela capacidade de sermos uma alavanca de mudança — de mentalidades, de práticas e de soluções que perdurem no tempo. Este financiamento à ANTOSC é um exemplo concreto do nosso propósito: transformar o papel do banco na sociedade”, afirmou.
O projecto permitirá à ANTOSC expandir sua rede para 214 sites até final de 2025, com meta de ultrapassar 400 locais até 2028. A estratégia de crescimento da empresa assenta em tecnologias híbridas de gestão energética, que combinam energia solar e gestão inteligente do consumo, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e as emissões de CO₂.
Esta abordagem não só minimiza custos operacionais, como posiciona a ANTOSC como líder em eficiência energética no sector das telecomunicações angolanas.
António Nunes, presidente do Conselho de Administração da ANTOSC, sublinhou o impacto transversal da iniciativa:
“Este financiamento é fundamental não só para o nosso crescimento, mas também para cumprir os objectivos nacionais de conectividade, sustentabilidade e inclusão digital. Garantimos telecomunicações onde os operadores individuais não teriam incentivo a investir — e isso muda vidas.”
A expansão das torres terá efeito directo em comunidades de difícil acesso, promovendo o desenvolvimento local e a fixação populacional, especialmente em zonas rurais e periféricas. Com melhor conectividade, aumentam as oportunidades de educação, saúde digital, comércio electrónico e acesso a serviços governamentais.
Rosemarie Luís, directora de Sustentabilidade do SBA, reforçou que este é apenas o primeiro de muitos empréstimos sustentáveis previstos. O banco destina 1% dos seus lucros anuais para financiar projectos com impacto positivo, alinhados com critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).
“Não existe sustentabilidade num banco se não fizermos empréstimos sustentáveis. Este é o início de uma nova escala de iniciativas que transformarão o mercado angolano”, disse.
Já André Reigota, director da Banca para Grandes Empresas do SBA, explicou que o financiamento foi classificado como empréstimo especial, o que permitiu à ANTOSC um desconto no custo total do crédito — uma forma de premiar projectos com alto impacto social e ambiental.
“Este é um exemplo claro de como o financiamento pode ser um instrumento de inclusão e desenvolvimento sustentável. Demonstramos capacidade técnica e institucional para replicar este modelo em outros sectores estratégicos.”
A parceria entre o SBA e a ANTOSC surge num momento crucial para Angola, onde a digitalização e a transição energética são pilares do desenvolvimento nacional. O projecto reforça o alinhamento com a Política Nacional de Conectividade e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Fonte: Ver Angola
