O actual Conselho de Administração da TAAG, liderado por Clóvis Lara Martins Rosa, ainda não submeteu ao Tribunal de Contas as contas do exercício de 2024, acumulando um atraso superior a nove meses face aos prazos legais. Esta situação levanta preocupações sobre a transparência da companhia de bandeira nacional num momento em que as famílias angolanas enfrentam a desvalorização do kwanza e aumentos nos custos de transporte aéreo.

O Tribunal de Contas considera que a responsabilidade pela entrega recai sobre a administração em funções, rejeitando a justificação apresentada pela TAAG de que as contas deveriam ser assinadas pelo anterior presidente, António dos Santos Domingos, já demissionário.

Atraso nas contas e invocação de ataque cibernético

A companhia aérea invocou anteriormente uma possível moratória devido ao ataque cibernético sofrido em Setembro de 2024, mas este argumento não foi plenamente acolhido pelos órgãos de fiscalização externa.

O atraso na prestação de contas ocorre num contexto de dificuldades financeiras da TAAG, que impacta directamente o preço dos bilhetes para os angolanos que dependem da companhia para viagens internas especialmente para províncias como Huíla, Namibe, Cuando Cubango e Cabinda e internacionais.

O nosso portal contactou a TAAG e o Tribunal de Contas para obter uma reacção oficial e aguarda resposta.

Reservas sobre contrato milionário com a Teleservice

Paralelamente, o Tribunal de Contas mantém reservas quanto aos elevados montantes pagos à empresa Teleservice, contratada em 2022 para gestão do transporte da frota da TAAG.

A Teleservice recebe cerca de 230 milhões de kwanzas mensais, valor considerado elevado face à existência de várias empresas no mercado angolano que prestam serviços semelhantes de aluguer de viaturas.

A contratação ocorreu durante o mandato da anterior administração, sob orientação da então presidente Ana Major e com intervenção do director de Aprovisionamento, Adilson Paulo.

Irregularidades detectadas nas contas de 2023

Na fiscalização das contas de 2023, o Tribunal de Contas identificou várias irregularidades na contratação de serviços de terceiros, sobretudo no aluguer de viaturas.

Algumas empresas prestaram serviços à TAAG durante mais de um ano sem contratos formalizados, facturando valores que, em conjunto, atingiam cerca de 300 milhões de kwanzas mensais.

O relatório aponta ainda possíveis ligações entre algumas dessas empresas e responsáveis da companhia, nomeadamente o director de Logística, Hélder Correia, e a administradora Manuela Pardal, com base em vínculos profissionais anteriores no sector privado.

Aumento de cargos de chefia e viaturas atribuídas

O Tribunal de Contas chama também a atenção para o aumento significativo do número de cargos de chefia decidido pelo actual Conselho de Administração.

Esta medida contribuiu para o crescimento do número de viaturas alugadas atribuídas individualmente a colaboradores, incluindo expatriados, mesmo existindo frota própria destinada ao apoio geral dos trabalhadores.

Fontes internas questionam a conformidade destas atribuições com as políticas internas da companhia, num período em que a eficiência dos recursos públicos é crucial para a sustentabilidade da TAAG e para a contenção de custos que possam repercutir-se nos preços pagos pelos cidadãos.

Fonte: Imparcial Press

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