O presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, assegurou, em Bruxelas, que o megaprojecto de gás natural liquefeito (GNL) na península de Afungi, em Moçambique, retomou definitivamente as suas operações após quase cinco anos de suspensão devido a ataques extremistas na província de Cabo Delgado, garantindo que “nunca mais vai parar” graças às condições de segurança actualmente asseguradas.
A TotalEnergies confirmou a retoma irreversível do seu megaprojecto de exploração de gás na bacia do Rovuma, em Moçambique, num investimento avaliado em 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros) que representa o maior compromisso da multinacional francesa no continente africano. A declaração foi proferida por Patrick Pouyanné após um encontro com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, na capital belga.
“Estamos aqui para torná-lo realidade, não só para Moçambique, mas também para a Europa e para o mundo”, afirmou Pouyanné aos jornalistas, sublinhando a importância estratégica do projecto para o abastecimento energético global. O responsável adiantou que a cláusula de “força maior”, accionada em Abril de 2021 na sequência de ataques armados na região norte de Moçambique, foi formalmente levantada.
A construção da unidade de produção e exportação de GNL retomou oficialmente a 29 de Janeiro, após intensos esforços das autoridades moçambicanas para estabilizar a segurança na província de Cabo Delgado. Na ocasião, o Presidente Daniel Chapo classificou o momento como um símbolo de “resiliência, coragem e determinação” do povo moçambicano, prevendo o início das exportações em 2029 com capacidade para produzir 13 milhões de toneladas por ano.
Para o tecido económico da região austral do continente – onde Angola figura como actor relevante no sector dos hidrocarbonetos –, a retoma deste projecto reforça o posicionamento de África como parceiro estratégico no mercado global de energia. Moçambique possui na bacia do Rovuma algumas das maiores reservas de gás do mundo, com três megaprojectos aprovados: o da TotalEnergies, outro da ExxonMobil (30 mil milhões de dólares) ainda aguardando decisão final de investimento, e o da italiana Eni, que já produz desde 2022 através da plataforma flutuante Coral Sul.
Pouyanné reforçou a necessidade de manter “uma boa relação” com as autoridades moçambicanas para acompanhar o progresso da obra, adiantando que deverá regressar em breve a Maputo para reuniões de monitorização. “Trata-se de um projecto gigantesco. É bom estarmos em sintonia e revermos regularmente o progresso”, concluiu.
Fonte: Lusa

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