O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, deslocou-se nesta quinta-feira, 8 de janeiro, a Luanda, para uma visita de trabalho de curta duração, mas de elevada relevância diplomática. Este encontro marca a segunda ida do chefe de Estado congolês à capital angolana em menos de uma semana, sublinhando a urgência na busca de soluções para a crise que assola o leste da RDC.
Em reunião realizada no Palácio Presidencial, Tshisekedi foi recebido por João Lourenço, Presidente da República de Angola e atual Presidente em exercício da União Africana (UA). O encontro ocorreu num contexto de agravamento da situação de segurança e humanitária na região oriental congolês, onde confrontos envolvendo forças governamentais, grupos armados nomeadamente o M23 e tensões com o Ruanda ameaçam a estabilidade regional.
Na sequência da reunião, o Presidente João Lourenço emitiu, em nome da União Africana, um comunicado oficial lido pelo Secretário para os Assuntos Diplomáticos e de Cooperação Internacional, Victor Lima, no qual manifesta “profunda inquietude” com a deterioração da segurança no leste da RDC. O documento reforça o compromisso com os processos diplomáticos em curso, em particular os acordos de Washington e Doha, e apela ao “cessar-fogo imediato e incondicional entre todas as partes em conflito”.
O comunicado exorta ainda os governos da RDC, do Ruanda e o movimento M23 a respeitarem os compromissos já assumidos, priorizando “uma solução pacífica do conflito e a salvaguarda dos direitos e interesses das populações civis”. João Lourenço instou, por fim, a comunidade internacional a apoiar os esforços regionais para restaurar a paz e a estabilidade na RDC.
Em resposta, o Presidente Tshisekedi manifestou publicamente o seu alinhamento com o apelo de Luanda. “Estamos abertos e prontos a alinhar com o cessar-fogo imediato e incondicional defendido pelo Presidente João Lourenço”, afirmou aos jornalistas, após o encontro. Agradeceu ainda o “engajamento incessante” do líder angolano, destacando-o como “uma figura incansável pela paz” na região.
