Um estudo recente do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2023/2024), conduzido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelou que 7% dos homens angolanos com idades entre 15 e 49 anos já sofreram, pelo menos uma vez, algum tipo de violência sexual. O relatório aponta variações significativas entre províncias, com Malanje (19%) e Benguela (13%) a registarem as percentagens mais elevadas, enquanto o Bié (0,1%) e a Huíla (1%) apresentam os índices mais baixos.

Entre os homens que já tiveram uma esposa ou parceira íntima, 71% indicaram a actual esposa/parceira como a principal agressora, enquanto 26% referiram uma parceira anterior. Apesar dos números expressivos, o relatório destaca que as mulheres continuam a ser as principais vítimas de violência sexual no país. Segundo o IIMS, 9% das mulheres na mesma faixa etária sofreram violência sexual, um aumento ligeiro em relação aos 8% registados no IIMS 2015-2016. Entre estas, 71% apontaram o actual marido ou parceiro íntimo como o agressor, e 27% referiram um parceiro anterior.

O estudo sublinha que 2% dos homens e das mulheres entre 15 e 49 anos reportaram violência sexual cometida por um parceiro não íntimo. Além disso, o IIMS revela disparidades regionais marcantes: na Lunda-Norte, 26% das mulheres entre 15 e 49 anos já sofreram violência sexual, contrastando com apenas 1% no Moxico e 2% em Malanje.

No que diz respeito à violência sexual na infância, 3% das mulheres e 2% dos homens relataram ter sofrido este tipo de violência antes dos 18 anos. De forma mais ampla, 36% das mulheres e 32% dos homens na faixa etária analisada admitiram ter sido vítimas de violência física ou sexual. Destes, 27% das mulheres e 25% dos homens sofreram apenas violência física, 3% de ambos os géneros enfrentaram apenas violência sexual, e 7% das mulheres e 5% dos homens sofreram ambos os tipos de violência.

Os dados do IIMS 2023/2024 reforçam a necessidade de políticas públicas que abordem a violência de género de forma abrangente, considerando tanto as mulheres como os homens como vítimas potenciais. O combate a este fenómeno exige esforços conjuntos para promover a igualdade de género e a protecção dos direitos humanos em Angola.

Fonte: Novo Jornal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *