O Banco de Fomento Angola (BFA) está a ultimar os preparativos para a sua estreia na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), após receber a aprovação do Banco Nacional de Angola (BNA) para a dispersão de 29,75% das suas acções. A operação, que marca um dos eventos financeiros mais aguardados do mercado angolano, poderá concretizar-se dentro de duas semanas e meia, segundo projecções da instituição e dos seus accionistas, o Banco Português de Investimento (BPI) e o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
Com os estatutos e o aumento de capital aprovados pelo BNA, o BFA aguarda agora o aval da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), que deverá pronunciar-se esta semana. A calendarização está alinhada com o Programa de Privatizações (PROPRIV), que prevê a alienação de participações do Estado em empresas do sector privado e público. Nos próximos dias, o banco iniciará a apresentação do prospecto financeiro e a solicitação de subscrição da Oferta Pública Inicial (OPI) junto da BODIVA.
Privatização via OPI
A privatização abrange 15% dos 51,9% que o Estado detém indirectamente no BFA, através da Unitel, a maior empresa de telecomunicações do país. A operação está prevista para o final do primeiro semestre de 2025. Já o BPI, que detém 48,1% do capital do banco, colocará 14,75% das suas acções em bolsa, após desistir de uma venda inicial a entidades privadas, como o Grupo Carrinho e Carlos Maria Feijó, devido à desvalorização do kwanza e ao crescente interesse de investidores no mercado bolsista.
Um Marco no Mercado Financeiro Angolano
A entrada do BFA na BODIVA é vista como um marco, sendo o banco mais rentável do sistema financeiro angolano. Esta será a terceira Oferta Pública de Venda (OPV) de relevo no país, após as estreias do Banco Angolano de Investimentos (BAI) e do Banco Caixa Geral Angola (BCGA) em 2022.
Em Junho de 2022, o BAI colocou 10% do seu capital social (1.945.000 acções) no mercado, pertencentes à Sonangol (8,5%) e à Endiama (1,5%). As acções, com um valor nominal de 8.100 kwanzas, foram vendidas a 20.640 kwanzas cada, gerando um encaixe de 40.144.800.000 kwanzas para 842 investidores. Em Setembro do mesmo ano, o BCGA disponibilizou 25% das suas acções (5.000.000), detidas pela Sonangol, ao preço unitário de 5.000 kwanzas, arrecadando 20.197.000.000 kwanzas.
A operação do BFA reforça a dinâmica do mercado de capitais em Angola e a confiança dos investidores no potencial económico do país.
Fonte: O Telgrama
